Ban Ki-moon antecipa aumento da imigração clandestina após crise financeira

María Gómez Silva Manila, 29 out (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou hoje para um eventual aumento dos fluxos de imigrantes ilegais caso os países atingidos pela crise financeira restrinjam a imigração legal com o objetivo de desocupar postos de trabalho para seus compatriotas.

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"Cerca de 200 milhões de pessoas vivem fora do país em que nasceram. Este número ainda aumentará independentemente da crise. As pessoas continuarão saindo para o exterior em busca de melhores condições de vida para sua família", afirmou Ban Ki-moon.

Em seu discurso de inauguração do segundo Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento, realizado em Manila, o secretário-geral da ONU destacou que "os Governos devem interpretar a mobilidade humana como uma ferramenta para lutar contra a crise, como um instrumento de desenvolvimento econômico".

O fórum, que termina na próxima quinta, conta com a participação de delegados de 150 países, entre eles 15 ministros e vice-ministros de países como Gana, África do Sul e Iraque.

Ban afirmou que os imigrantes que trabalham nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) serão os primeiros a sofrerem as conseqüências da situação financeira, principalmente aqueles empregados em setores como construção civil e turismo.

Além disso, disse que "existem provas crescentes da diminuição do envio de remessas" aos países de origem, enquanto aumenta "o risco de discriminação".

"Estou preocupado com o impacto da recessão econômica em todos os pontos da Agenda 21 das Nações Unidas, desde a luta contra a mudança climática até a crise de alimentos", declarou.

Ban Ki-moon acrescentou que durante a cúpula de emergência do G20, que será realizada no dia 15 de novembro em Washington, pedirá aos Governos que prestem especial atenção aos direitos dos imigrantes.

O dirigente da ONU chegou na noite desta terça às Filipinas, um dos países que fornece o maior número de trabalhadores às nações que importam mão-de-obra.

A presidente filipina, Gloria Macapagal Arroyo, concordou com Ban Ki-moon em que "os direitos dos imigrantes devem ser protegidos em tempos de crise financeira" e exigiu que os Governos assinem a Convenção Internacional dos Direitos dos Imigrantes e de suas Famílias, que foi ratificada por apenas 20 países.

Nenhum país europeu nem os Estados Unidos ratificaram a convenção da ONU, que entrou em vigor em 2003.

Por ocasião da inauguração do fórum, a União Européia (UE) e as Nações Unidas anunciaram que promoverão um programa para a proteção dos trabalhadores imigrantes atingidos pela crise, com uma verba de US$ 18 milhões.

O programa tem o intuito de melhorar a formação dos imigrantes, promover seus direitos e facilitar a repatriação das remessas.

Gerhard Sabathil, funcionário da representação da Comissão Européia, afirmou que o plano será posto em prática nos 16 países que fornecem a maior quantidade de trabalhadores imigrantes.

O Fórum Global sobre Migrações e Desenvolvimento, dividido em dias de debate da sociedade civil e dos Governos, é de caráter consultivo e foi proposto pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em setembro de 2005, durante um debate na Assembléia Geral da instituição em Nova York.

Sharan Burrow, presidente da Confederação Internacional de Sindicatos, que reúne organizações de 155 países, abriu os debates da sociedade civil com um discurso no qual expôs um panorama semelhante ao anunciado pelo secretário-geral da ONU.

"A reação dos Governos diante do aumento do desemprego foi expulsar imigrantes para poder oferecer estes postos de trabalho a seus cidadãos, como ocorreu durante a crise da Ásia, em 1997", lembrou a ativista.

"Isto só contribuirá para aumentar a imigração ilegal, pois não há alternativas para os imigrantes em seus países de origem", declarou Burrow na última segunda.

O primeiro Fórum Global sobre Migrações e Desenvolvimento foi realizado em Bruxelas em 2007, e o próximo será em Atenas, em 2009.

EFE mgs/ev/fal

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