Ban exige de Israel prestação de contas por bombardeios a prédios da ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiu nesta terça-feira que os responsáveis pelos bombardeios israelenses contra prédios das Nações Unidas em Gaza prestem contas à justiça - durante visita ao território palestino devastado pela ofensiva de Israel contra o Hamas.

AFP |

"Deve haver uma investigação exaustiva, uma explicação completa que garanta que isto não voltará a acontecer jamais. Os responsáveis devem prestar contas à justiça", declarou.

A visita de Ban a Gaza é a primeira de um líder internacional desde que o Hamas, considerado um grupo terrorista pelo Ocidente, asssumiu à força em 2007 o controle deste território, expulsando o Fatah do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

Ban Ki-moon visitou nesta terça-feira a Faixa de Gaza, de onde as tropas israelenses prosseguem com a retirada gradual, três dias depois do cessar-fogo na ofensiva contra o Hamas.

Ban qualificou os bombardeios israelenses a instalações da ONU de "ataques escandalosos e totalmente inaceitáveis".

O secretário-geral da ONU fez o pronunciamento sobre as ruínas dos armazéns de um complexo da Agência da ONU de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), que sofreu o impacto de um ataque israelense à cidade de Gaza.

Com o clima mais tranquilo, Ban entrou no território palestino pela passagem de Erez (norte), para avaliar a devastação causada pelo conflito, que matou mais de 1.300 palestinos de deixou mais de 5.300 feridos.

A primeira parada foi no complexo de Gaza da Agência da ONU de Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), atingido em um bombardeio israelense em 15 de janeiro.

Dezenas de toneladas de ajuda humanitária queimaram no ataque contra a UNRWA, que deixou três feridos.

Escolas administradas pela ONU também foram bombardeadas por Israel nos 22 dias da ofensiva, incluindo um centro de ensino em Jabaliya, que deixou mais de 40 mortos.

O dirigente da ONU também visitará Sderot, cidade israelense a cinco quilômetros da fronteira com o território palestino, que é alvo dos foguetes do Hamas desde 2000.

Condenou igualmente o disparo de foguetes por parte dos islamitas do Hamas considerando-os "totalmente inaceitáveis".

"Espero que as leis humanitárias internacionais que protegem os civis sejam restauradas e respeitadas, não violadas de forma repetida como fez o Hamas", acrescentou.

Oito organizações israelenses de defesa dos direitos humanos exigiram por suanvez do procurador-geral do Estado a abertura de uma investigação sobre a conduta do exército durante o conflito.

Ao mesmo tempo, o Exército israelense prosseguia com a retirada da Faixa de Gaza, mas o governo não revelou se a saída será total antes da posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos nesta terça-feira às 17H00 GMT (15H00 de Brasília).

"Isto dependerá da realidade no campo de batalha", declarou uma fonte do ministério da Defesa.

Na região, o cessar-fogo era globalmente respeitado.

Fontes palestinas, no entanto, afirmaram que soldados israelenses mataram um dono de granja nesta terça-feira. Um porta-voz militar disse não ter informações a respeito.

Testemunhas palestinas afirmaram ainda que navios de guerra israelenses dispararam obuses sobre o litoral do norte da Faixa. Dois palestinos faleceram na ciadde de Gaza quando um projétil israelense com o qual brincavam explodiu, segundo fontes médicas.

Israel lançou uma grande ofensiva contra a Faixa de Gaza em 27 de dezembro. No domingo passado começou a retirar gradualmente as tropas do território, depois que Hamas e outros grupos armados palestinos decretaram um cessar-fogo de uma semana.

Apesar da devastação - mais de 4.000 casas destruídas e outras 17.000 atingidas -, o Hamas clamou uma "vitória divina" e prometeu se rearmar, com uma advertência a Israel de que sofrerá mais ataques, caso não retire todas as forças da Faixa até o próximo domingo.

No Kuwait, os dirigentes dos 22 países membros da Liga Árabe se comprometeram a conceder toda forma de apoio ao povo palestino, mas não chegaram a um consenso para a criação de um fundo para a reconstrução da Faixa de Gaza.

A reconstrução deste paupérrimo território, um dos mais densamente povoados do planeta, com 1,5 milhão de habitantes em 362 km2, pode se tornar o novo elemento de discórdia no Oriente Médio.

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou que o país não está disposto a permitir que o Hamas participe nas tarefas.

Israel qer a presença de organizações internacionais em cooperação com a ONU, Egito e a Autoridade Palestina no processo.

Já a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, condicionou a abertura das passagens de fronteira de Gaza a progressos na libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado em 2006 por milícias palestinas na fronteira entre Gaza e o Estado hebreu.

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