Ban diz que terremoto do Haiti mostra importância do multilateralismo

Elena Moreno. Nações Unidas, 28 jan (EFE).- A generosa e rápida reação internacional ao terremoto no Haiti demonstra a importância do multilateralismo, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante uma entrevista à Efe em Nações Unidas.

EFE |

"Me comove a generosidade demonstrada e me encoraja a alta importância que a comunidade internacional dá ao multilateralismo", assinalou o principal responsável da ONU antes de viajar para Londres para participar hoje na Conferência sobre o Afeganistão que co-preside com o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown e o presidente afegão, Hamid Karzai.

Haiti, que faz 16 dias sofreu um devastador terremoto que destruiu sua capital quase totalmente e causou mais de 100 mil mortos e 3 milhões de desabrigados, depende agora da comunidade internacional para reconstruir um país empobrecido economicamente e carente de instituições sólidas desde antes do incidente.

"Como foi demonstrou em muitas ocasiões e é o caso do terremoto no Haiti, um país ou um grupo (de países) não podem resolver este tipo de problemas. É preciso o apoio de toda a comunidade internacional", afirmou Ban.

O principal responsável da ONU ressaltou que com o desastre do Haiti ocorre o mesmo que com outros grandes problemas do século 21 como a mudança climática, a segurança energética e a pobreza.

"São temas que devem ser abordados de maneira global e que requerem da solidariedade global", assinalou Ban.

Perguntado por se a reação dos Estados Unidos diante do problema do Haiti se deve de ler como uma prova do giro em direção ao multilateralismo prometido pelo presidente Barack Obama em setembro passado na Assembleia Geral da ONU, Ban assinalou que "a função (das tropas americanas) é humanitária".

"Vi as preocupações expressadas pelo envio das tropas americanas.

Mas temos a certeza que sua função é humanitária e que a segurança, assim como a lei e a ordem na rua, são uma responsabilidade dos capacetes azuis da ONU e da Polícia nacional haitiana", assinalou.

Dias depois do terremoto, os EUA assumiram o controle da segurança aérea haitiana a pedido do presidente René Préval e enviaram cerca de 12 mil militares, que se encarregaram de distribuir e coordenar a entrega da assistência humanitária.

Em 22 de janeiro, a ONU e os EUA assinaram em Porto Príncipe um acordo que formalizava o papel dos soldados no Haiti e que reafirma que a missão das Nações Unidas (Minustah) é a responsável por ajudar às autoridades haitianas a manter a ordem, a estabilidade e o Estado de direito.

O componente militar de Minustah, sob o comando do Brasil, conta com 9 mil capacetes azuis, aos que se somam outros 3,5 mil já autorizados, encarregados de manter o controle e a segurança do país antilhano junto à minguada Polícia Nacional.

"Como a Polícia haitiana ficou muito afetada, os capacetes azuis se encarregaram de proporcionar essa segurança", disse Ban, que pediu ajuda financeira urgente à comunidade internacional para reforçar a a Polícia nacional haitiana.

Detalhou que "o Exército americano deixou claro que sua responsabilidade é facilitar a rápida distribuição da ajuda humanitária".

Quanto à resposta que a comunidade internacional deu a difícil situação do que já era o país mais pobre da América, Ban disse à agência Efe que "foi muito bem e com mecanismos de coordenação bem estruturados".

Lembrou que durante a Conferência de Montreal (Canadá) realizada nesta semana foi criado um centro unificado de operações, no qual estão presentes a ONU, EUA, Canadá e outros países.

"A ONU continuará desempenhando o papel de principal coordenador do esforço e contribuiremos para reforçar a capacidade de atuação do Governo haitiano", afirmou Ban, que disse que agora "é preciso concentrar-se na recuperação e a reconstrução a longo prazo".

A seguinte reunião da comunidade internacional para definir o montante com que a longo prazo ajudará-se a reconstruir Haiti será no final de março em Nações Unidas, "mas ainda não há uma data concreta. Talvez no dia 22 ou 23 de março".

A ONU pediu US$ 575 milhões à comunidade internacional pouco depois da catástrofe e já obteve "80% do solicitado. É algo sem precedentes e extraordinário", considerou.

Superado o meio de seu mandato e olhando por trás da situação internacional e os desastres como o haitiano, Ban assinalou que "foram três anos com muitos desafios" globais e regionais.

"Se necessita o multilateralismo... Nunca vimos uma época na qual coincidam tantos desafios globais, como a mudança climática, a pobreza, a crise financeira, e todos requerem de uma resposta e uma solidariedade global", afirmou Ban.

Assegurou que as Nações Unidas "tem que estar no centro da ação.

Nesse sentido, me sinto muito honrado de servir a esta organização como secretário-geral e continuarei abordando estes assuntos globais". EFE emm/dm

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