Ban diz que rebeldes de Uganda seguem recrutando crianças

Nações Unidas, 25 jun (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou hoje que os rebeldes ugandenses do Exército de Resistência do Senhor (LRA, em inglês) seguem recrutando crianças para incorporá-las a suas fileiras.

EFE |

Em relatório ao Conselho de Segurança, Ban afirma que estes novos recrutas alistados à força provêm de zonas de países próximos a Uganda, como Sudão, República Democrática do Congo (RDC) e República Centro-Africana, nos quais o grupo rebelde opera.

"Devido à aparente ausência do LRA do território ugandense, não houve casos recentes de recrutamentos ou o uso de crianças ugandensas, ou outras graves violações atribuíveis ao LRA", aponta o secretário-geral.

No entanto, ressalta, o grupo rebelde mantém nas fileiras menores e mulheres ugandenses recrutados à força ao longo dos quase 20 anos de luta do movimento contra o Governo de Campala.

Isto contradiz as declarações do LRA de que liberou todos os menores e mulheres de suas fileiras, e que os que permanecem com o grupo são parentes de combatentes.

As organizações de direitos humanos acusam o LRA de ter empregado nos combates mais de 25 mil menores como soldados e carregadores.

As crianças recebiam duros castigos após serem capturadas, para serem moldadas ao grupo, e as meninas, em algumas ocasiões, serviam de escravas sexuais dos comandantes, segundo as ONGs.

Ban aborda no relatório as denúncias de três crianças do Sudão e da República Centro-Africana que escaparam do LRA após ser obrigados a trabalhar como carregadores.

Os três afirmaram ter visto meninas nas fileiras rebeldes que, em algumas ocasiões, eram estupradas ou sofriam outros atos de violência, segundo o principal responsável da ONU.

As autoridades locais de Dungu, cidade ao leste da RDC, informaram que 13 pessoas, entre elas quatro estudantes, desapareceram após um ataque do LRA, indica o relatório.

"Estas denúncias coincidem com a estagnação das negociações de paz entre o LRA e o Governo por causa da recusa do líder do LRA, Joseph Kony, de assinar o acordo de paz", aponta Ban.

Kony é um dos cinco altos comandantes do grupo rebelde acusados pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra, entre os quais se incluem acusações pelo seqüestro de menores.

O secretário-geral da ONU exige aos rebeldes no relatório que entreguem uma lista completa com os nomes e as idades das mulheres e crianças que permanecem em suas fileiras para verificar as identidades e garantir que sejam liberadas. EFE jju/db

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