Ban debaterá crise no Zimbábue na reunião da ONU com União Africana

Nações Unidas, 15 abr (EFE) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse hoje que discutirá a delicada situação política do Zimbábue na reunião de alto nível que o Conselho de Segurança da organização realizará com a União Africana (UA).

EFE |

Ban disse que a presença de vários líderes africanos na sede das Nações Unidas para participar da reunião, assim como a do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, cria "uma oportunidade natural" para abordar a crise eleitoral que paralisou o Zimbábue.

Ele afirmou que mencionará a situação no país africano durante seu discurso na reunião, apesar de a delicada situação política que o país vive desde as eleições de 29 de março não estar na agenda do encontro.

"Vou dizer alguma coisa da situação no Zimbábue, e também terei várias reuniões com líderes para discutir o que a ONU e a comunidade internacional podem fazer para ajudar o povo do Zimbábue e suas autoridades em (favor de) uma solução satisfatória para as expectativas da comunidade internacional", disse Ban.

O secretário-geral reiterou seu apelo para que as autoridades eleitorais do Zimbábue anunciem os resultados das votações presidenciais de 29 de março, os quais se recusaram a divulgar apesar das pressões da oposição e da comunidade internacional.

"A primeira coisa que deve acontecer é que se produza uma divulgação muito transparente e rápida dos resultados da eleição, para que o povo do Zimbábue possa desfrutar do processo democrático, e para que também supere suas graves dificuldades humanitárias", acrescentou.

Além de Ban, Brown também deve mencionar a crise no país africano em seu pronunciamento, apesar de isso não estar contemplado no programa elaborado pela África do Sul, que ocupa a Presidência de turno do Conselho de Segurança e cujo presidente, Thabo Mbeki, liderará a reunião.

Seus críticos acusam Mbeki de proteger o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, que está no poder desde 1980 e cujo regime foi considerado violador dos direitos humanos.

O embaixador sul-africano perante a ONU, Dumisani Kumalo, indicou que embora o Zimbábue não fizesse parte da agenda, não significa que não se possa falar durante a reunião, que será dedicada a promover a cooperação das Nações Unidas com a UA.

"Podem dizer o que quiserem, porque a França e o Reino Unido são países muito grandes para serem impedidos de falar", disse o diplomata.

"Os vizinhos estão fazendo algo pelo Zimbábue, embora alguns não gostem disso, estamos fazendo algo", acrescentou.

Um tribunal do Zimbábue rejeitou na segunda-feira a possibilidade de obrigar a Comissão Eleitoral a divulgar imediatamente os resultados das eleições, sem explicar sua decisão.

A oposição afirma que o Governo oculta com esta manobra a derrota eleitoral do líder por seus adversários do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês).

O Governo, que insiste em que os dados devem ser divulgados quando tiverem sido verificados, acredita em que nenhum candidato obteve os votos suficientes para se proclamar vencedor no primeiro turno do pleito. EFE jju/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG