NOVA YORK - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou inaceitáveis as ameaças que o governo de fato de Roberto Micheletti fez à embaixada do Brasil em Honduras, onde o presidente deposto desse país, Manuel Zelaya, está hospedado desde a semana passada.

Ban também disse que a grave situação em Honduras foi agravada pelo "estado de emergência" decretado pelas autoridades.

"Estou muito preocupado com a situação em Honduras. O estado de emergência aumenta as tensões", disse Ban durante uma entrevista coletiva nas Nações Unidas.

No último domingo, o governo de Honduras ameaçou retirar a imunidade da embaixada brasileira no país , onde permanece refugiado o presidente deposto Manuel Zelaya, e retirou outros direitos constitucionais numa deterioração da crise iniciada há três meses com um golpe de Estado.

O chanceler do governo, Carlos López, disse que o Brasil deve decidir se concede asilo a Zelaya ou se o entrega à Justiça hondurenha para ser processado por supostos crimes de traição e violação da Constituição.

"O título e o privilégio de o Brasil ter uma missão em Honduras acaba em 10 dias", disse ele em entrevista coletiva no domingo.

A partir daí, a embaixada, onde Zelaya está entrincheirado, perderia sua imunidade diplomática, acrescentou López, garantindo, no entanto, que o governo não pensa em tomá-la.

Visita de deputados brasileiros

Uma comissão de cinco deputados federais brasileiros deve desembarcar na quarta-feira em Tegucigalpa , capital de Honduras. O objetivo da viagem é ver as condições dos brasileiros e dos funcionários da embaixada do Brasil no país, que há mais de uma semana tem servido de abrigo ao presidente deposto, Manuel Zelaya.

Na capital hondurenha, os deputados brasileiros farão uma visita ao Parlamento local e à embaixada do Brasil. De acordo com o presidente da comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Severiano Alves (PDT-BA), a comissão não irá tratar sobre o retorno de Zelaya ao poder. "A comissão não tem a intenção de dialogar com o governo local. Trata-se de uma visita ao Parlamento do país", afirma Alves.

"O objetivo é exclusivamente voltado para a comunidade brasileira no país e para os funcionários da embaixada", reforçou o coordenador da comitiva, o deputado Raul Jungman (PPS-PE).

A comitiva não irá desembarcar em Tegucigalpa em voo da Força Aérea Brasileira. O grupo descerá em El Salvador e tomará um voo comercial até a capital de Honduras. "Não vamos desembarcar em Tegucigalpa porque a diplomacia brasileira não reconhece o governo local, então chegaremos como cidadãos", disse Jungman.

Quanto aos custos da viagem, Jungman reforçou que os gastos ficarão por conta dos deputados, e não da Câmara. Segundo ele, não haveria tempo hábil para aprovar a liberação dos recursos. Jungman afirmou ainda que o dinheiro não será reembolsado. Esses gastos incluem o voo comercial entre El Salvador e Tegucigalpa, hospedagem e alimentação.

O retorno da comissão está previsto para sexta-feira. Ainda nesta terça-feira, os deputados participam de um almoço com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

* Com reportagem de Sarah Barros, em Brasília

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