Ban chega a Porto Príncipe para mostrar solidariedade às vítimas do terremoto

Porto Príncipe/Nações Unidas, 17 jan (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, garantiu hoje às autoridades haitianas, aos funcionários da organização no Haiti e às muitas vítimas da tragédia que as Nações Unidas não vão esquecê-los e farão tudo o que for possível para ajudá-los na recuperação.

EFE |

Ban, em emocionante reunião com um grupo de vítimas do terremoto que assolou o país caribenho no último dia 12, disse que tinha trazido a Porto Príncipe "a mensagem sobre a ajuda já estar a caminho".

"A destruição e a perda de vidas é assustadora", lamentou Ban, que em sua visita ao Haiti teve a companhia da administradora do Programa da ONU para o Desenvolvimento (Pnud), Helen Clark, os responsáveis do departamento da manutenção da paz, Alain Leroy e Susana Malcorra, e o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes.

O principal responsável da ONU, acompanhado também pelo chefe interino da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), o diplomata guatemalteco Edmond Mulet, ressaltou também aos afetados que uma de suas prioridades era salvar tantas vidas quanto fosse possível.

Destacou que quer aumentar a assistência humanitária aos desabrigados, além de garantir a coordenação da enorme quantidade de ajuda internacional que está chegando ao país mais pobre da América.

Ban, que pouco antes de abandonar a sede central do organismo em Nova York assegurou que esta é "a crise humanitária mais grave" ocorrida em décadas, visitou a área onde, há menos de uma semana, estava o Palácio Presidencial do Haiti e sobrevoou a capital para avaliar os danos.

O sismo de magnitude 7 na escala Richter e os abalos secundários do dia 12 e dos dias seguintes afetaram um terço da população haitiana, que é de nove milhões, segundo as estimativas das Nações Unidas.

A ONU também calcula que 10% dos edifícios de Porto Príncipe ficaram totalmente destruídos, deixando mais de 300.000 pessoas sem lar, embora o número oficial possa superar esses dados em uma cidade de mais de dois milhões de habitantes.

As atividades do responsável da ONU neste domingo no Haiti incluíram reuniões com o presidente do país, René Préval, e com a vice-presidente do Governo da Espanha, María Teresa Fernández de la Vega, cujo país preside este semestre a União Europeia (UE).

Ban pediu à Espanha que promova o envio de uma missão da UE ao Haiti, para ajudar a reconstruir Porto Príncipe, informou a líder em entrevista coletiva.

Em seu percurso pela devastada capital haitiana, o secretário-geral da ONU agradeceu a solidariedade mostrada por muitos países do mundo.

Durante este fim de semana, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou que entregou suprimentos para 40.000 pessoas no sábado e para outras 60.000 no domingo.

Ban assegurou em Porto Príncipe que no prazo de um mês a ONU pode entregar alimentos para dois milhões de pessoas.

Além disso, reiterou sua profunda consternação pela morte de muitos trabalhadores da organização, entre eles o chefe de Missão da ONU no Haiti (Minustah), o tunisiano Hédi Annabi, e de seu primeiro substituto, o brasileiro Luiz Carlos da Costa, e o chefe da Polícia da força, o canadense Doug Coates.

Até agora são 40 trabalhadores das Nações Unidas que faleceram no terremoto e outros 330 desaparecidos na queda do edifício que abrigava a Minustah, o antigo Hotel Christopher.

Fontes da ONU indicaram que durante a jornada de sábado as equipes de salvamento recuperaram outras 50 pessoas das zonas destruídas.

Nas operações de resgate trabalham, segundo a ONU, 40 equipes internacionais, com uma força de salvamento de aproximadamente 1.500 pessoas e 160 cachorros de resgate, que já rastrearam mais de 60% das áreas mais afetadas da capital haitiana.

Durante sua visita ao Haiti, Ban teve um emocionante encontro com sua ex-porta-voz, a haitiana Michèle Montas, que visitava sua mãe no dia do terremoto e que hoje acompanhou o secretário-geral durante seu percurso por Porto Príncipe.

Chega amanhã à capital haitiana o ex-presidente dos Estados Unidos e enviado especial da ONU para o Haiti, Bill Clinton, que ressaltou sua "profunda obrigação em relação aos haitianos".

O ex-líder levará água, alimentos, material médico, lanternas de placas solares, rádios portáteis e geradores, indicou a Fundação Clinton mediante comunicado de imprensa divulgado em Nova York.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro do país, Jean Max Bellerive, havia falado de "centenas de milhares" de mortos.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 15 militares do país que participam da Minustah, a missão da ONU no Haiti, morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE fjo-js-emm/fm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG