Ban chega a Mianmar e comprova destruição causada pelo ciclone

Juan Campos Yangun (Mianmar), 22 mai (EFE) - O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, foi hoje testemunha da destruição causada pelo ciclone Nargis no sul de Mianmar (antiga Birmânia), onde tenta pressionar a Junta Militar a permitir que chegue ajuda internacional a 2,5 milhões de desabrigados. Após se reunir com o primeiro-ministro birmanês, Thein Sein, que explicou que seu Governo está a ponto de encerrar a assistência essencial à população, Ban sobrevoou em um helicóptero algumas das áreas arrasadas pelo devastador ciclone que atingiu o delta do rio Irrawaddy nos dias 2 e 3 de maio. O Nargis causou 77.738 mortes, e, passados 20 dias desde que arrasou a zona, um total de 55.

EFE |

917 pessoas permanecem desaparecidas.

O Governo militar birmanês, que sempre suspeitou das intenções da ONU e das potências ocidentais, se negou a abrir as portas do país para o desembarque da ajuda internacional.

O regime impede ainda a entrada dos voluntários estrangeiros e da imprensa - oferecidos para atender aos sobreviventes que sofrem com a falta de alimentos e água e estão ameaçados por doenças.

Ban qualificou de estritamente humanitária a missão neste país, o qual a ONU tenta, sem sucesso, levar para o caminho democrático.

O secretário-geral da organização insistiu perante o primeiro-ministro birmanês em que Mianmar não pode deixar de confiar na comunidade internacional.

Por meio da imprensa estatal, a Junta Militar deu a entender que suspeita de que a ajuda humanitária internacional seja para camuflar uma estratégia que tem como objetivo mudar o regime com o apoio dos trabalhadores das agências internacionais.

Desde que ocorreu a catástrofe, a Junta autorizou a aterrissagem no aeroporto de Yangun de dezenas de aviões com alimentos, incluindo vários dos Estados Unidos, país que, assim como a União Européia (UE), mantém em vigor as sanções econômicas a Mianmar em resposta à persistente violação dos direitos humanos.

De acordo com a Junta Militar, a ajuda distribuída até o momento por seu Exército e organizações estatais cobriu as necessidades básicas dos desabrigados, e agora a prioridade é reconstruir a infra-estrutura e as aldeias do delta, uma zona pobre e que ficou sem atendimento durante décadas.

Já a ONU alega que somente 25% dos desabrigados receberam ajuda humanitária, e acredita que para que surta efeito é preciso realizar as operações de forma "coordenada e sistemática".

"Confio bastante em que possamos superar esta tragédia", disse o secretário-geral da ONU durante sua visita ao templo de Shwedagon, coração espiritual de Yangun e um dos pontos de concentração dos grandes protestos que, em setembro passado, foram reprimidos pelas forças de segurança violentamente.

Em Shwedagon, e uma vez acabada a cerimônia na qual esteve presente o ministro de Assuntos Exteriores, o general Nyan Win, o chefe do organismo multinacional destacou que espera "que seu pessoal e o Governo coordenem de forma conjunta o fluxo de ajuda e a ação dos trabalhadores".

Ban, que ligou durante dois dias para a Junta Militar a partir da sede da ONU em Nova York e não obteve retorno do regime, se reuniu em duas ocasiões com o general Sein e uma vez com os representantes das agências da ONU.

O primeiro dos nove helicópteros da ONU autorizados a voar até o delta do rio Irrawaddy e deixar ali sua carga de alimentos, roupa e materiais de construção chegou a Yangun horas depois do secretário-geral, indicaram fontes do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Ban, o primeiro chefe da ONU a fazer uma visita oficial a Mianmar nas últimas quatro décadas de regime militar, deve encontrar na sexta-feira o líder máximo do país, o general Than Shwe, em sua fortaleza de Naypyidaw, a nova capital da nação.

Horas antes da chegada de Ban, a Liga Nacional pela Democracia (LND), a principal legenda da oposição democrática em Mianmar, anunciou a detenção de 13 membros das juventudes do partido, acusados de colaborar na assistência às pessoas prejudicadas pelo "Nargis".

Os militantes também eram acusados de participar das denúncias de manipulações de autoridades birmanesas na consulta do plebiscito constitucional. EFE csm/fh/db

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