Ban chama atenção para agricultura no Dia Mundial da Biodiversidade

Nações Unidas, 22 mai (EFE) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chamou hoje a atenção para os problemas da agricultura e da mudança climática no Dia Mundial da Biodiversidade.

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Ban, em declaração escrita emitida hoje pelas Nações Unidas, ressaltou à comunidade internacional "a perda devastadora de espécies que está ocorrendo" a um ritmo alarmante, além de ter destacado que para enfrentar o problema "é preciso revisar a agricultura".

"As colheitas e a pecuária são um reflexo da gestão humana", disse Ban, que se mostrou pessimista com os números que indicam que um "quinto dos animais domesticados correm risco de extinção, com uma média de uma espécie que se perde a cada mês".

Das 7 mil espécies de plantas usadas pelo homem na história da agricultura, apenas 30% são utilizadas para alimentar a população.

Atualmente, a população mundial enfrenta uma crise alimentícia global que tem sua origem, além de nos altos preços das matérias-primas e do petróleo, no esgotamento de algumas plantas e na mudança climática.

O responsável das Nações Unidas destacou que confiar em apenas 30% das espécies vegetais comestíveis é uma estratégia que deveria ser revista.

Além disso, disse que a "mudança climática está complicando a situação", já que as variações na temperatura e as precipitações estão causando grandes problemas à agricultura, até o ponto que, segundo especialistas, isso pode custar aos países do sul da África até 30% de suas colheitas de milho em 2030.

"A diversidade em agricultura e pecuária é o melhor seguro que dispomos para fazer frente a essas mudanças", insistiu Ban, que lembrou que a produção de criação de gado é uma das principais responsáveis pelo aumento das emissões de gases poluentes pelo transporte.

"A biodiversidade está diretamente ameaçada por essa indústria", disse Ban, em referência a que um quinto da biomassa é utilizada pelo gado, e que essa é uma terra que foi o habitat de vida selvagem e cuja preservação, por sua vez, pode ser um verdadeiro colchão contra o impacto da mudança climática.

O secretário-geral alertou que quando a perspectiva de crescimento da população é de 50% em 2050, essas tendências só podem gerar mais crise de fome, pobreza, doenças e "até a metástase de muitos conflitos".

"Preservar a biodiversidade é essencial para o desenvolvimento e a segurança do planeta", acrescentou e recomendou aos países seguir o plano global de ação para a gestão dos recursos animais aprovado pela ONU em setembro passado, assim como aderir à convenção sobre a diversidade biológica. EFE emm/db

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