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Ban alerta que impacto real da crise pode durar anos

Nações Unidas, 24 jun (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou hoje que o impacto real da crise econômica pode se estender por anos e ressaltou que os indícios de estabilidade financeira que aparecem em alguns países são apenas sinais.

EFE |

"Se vê estabilização financeira e crescimento em alguns países, mas me deixem dizer de forma alta e clara: são apenas sinais", reforçou Ban na abertura da cúpula em que, a partir de hoje e até sexta-feira, a Assembleia Geral da ONU busca soluções para crise econômica global e reduzir o impacto entre os mais pobres.

Além disso, Ban disse que como resultado da crise econômica global milhões de famílias caíram na pobreza e apenas durante 2009 poderia se perder 50 milhões de postos de trabalho.

"Quase um bilhão de pessoas vão dormir todo dia com fome e muitas crianças morrem por doenças que podem se prevenir", disse Ban, que frisou que para enfrentar esse aspecto da crise "é necessária solidariedade internacional".

Ban ressaltou a importância das decisões adotadas em foros menores que a assembleia, como o Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais desenvolvidos do mundo e a Rússia) para combater a crise, mas também pediu "um esclarecimento das prioridades" diante dos próximos encontros.

"A crise econômica global mostra que é necessário um renovado multilateralismo. Sabemos que sem a regulação adequada, a ruptura de uma parte do sistema tem profundas repercussões nas outras partes", completou Ban.

Os aspectos vinculados à regulação financeira, assim como a reforma das instituições financeiras multilaterais e a criação de mecanismos que supervisionem o cumprimento das mudanças adotadas na cúpula são os principais pontos de divergência entre os países presentes na reunião.

Muitos dos países em desenvolvimento querem que os três dias de debates da cúpula sirvam para dar espaço a mudanças profundas na arquitetura financeira internacional.

No entanto, os países mais industrializados se opõem a dar um maior peso à ONU na gestão das instituições financeiras multilaterais e na criação de um padrão regulador financeiro global.

As desavenças se refletiram no baixo nível das delegações que os países mais ricos enviaram à cúpula, assim como na falta de consenso sobre o conteúdo do documento final do encontro que ainda está sendo negociado.

Pouco antes, o presidente da assembleia, o nicaraguense Miguel D'Escoto, abriu os debates da cúpula com uma crítica chamada aos 192 países-membros da ONU para que propiciem uma mudança na arquitetura financeira internacional.

"Não é humano e não é responsável construir uma Arca de Noé que salve apenas o sistema econômico imperante e deixe os demais a sua sorte", disse D'Escoto, que encorajou as delegações a "tomar decisões que atendam a necessidade de todos", em vez das orientadas exclusivamente à saúde do sistema financeiro.

D'Escoto e os representantes de boa parte das economias emergentes são a favor de seguir as recomendações propostas por um grupo de economistas, liderado pelo prêmio Nobel Joseph Stiglitz.

Entre as medidas foi sugerido substituir o dólar como a moeda de comércio internacional e trocar o Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) por um novo Conselho Econômico Global em que se incluam os interesses de todas as economias do planeta.

Na atual minuta das conclusões finais se recomenda que a maior parte da liquidez mobilizada para aliviar a crise econômica se dirija aos países em desenvolvimento e com menores receitas, e que se reduzam as condições vinculadas aos empréstimos.

O texto também faz referência às reformas que tem que ser feitas no Fundo Monetário Internacional (FMI), no Banco Mundial (BM) e no Banco para Pagamentos Internacionais (BIS), e a uma maior representação nessas instituições dos países em desenvolvimento.

Em particular, é recomendável "reforçar a vigilância do FMI sobre os grandes centros financeiros, os fluxos de capital e os mercados financeiros, e melhorar o sistema de alerta da crise", diz.

Está previsto que até sexta-feira discursem um total de 142 países dos 192 que compõem a assembleia, e que amanhã o façam dois dos poucos chefes de Estado que confirmaram sua participação, como os presidentes de Equador, Rafael Correa, e Bolívia, Evo Morales.

EFE emm/rr

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