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Ban afirma que crise de alimentos atinge proporções de emergência

Nações Unidas, 14 abr (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou hoje que a crise causada em diversos pontos do mundo pelo encarecimento do preço dos alimentos atingiu proporções de emergência.

EFE |

Ban pediu que se evite responder à crise a curto prazo e propôs complementar as medidas de emergência com "um aumento significativo a longo prazo da produtividade da colheita de cereais".

"A comunidade internacional também precisará concordar e adotar medidas urgentes para evitar as implicações políticas e de segurança desta crise crescente", disse o secretário-geral, para quem a ONU deve "liderar" a resposta ao problema.

Ban pronunciou estas palavras na abertura de uma reunião do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da ONU, das instituições de Bretton Woods, da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Conferência Internacional sobre o Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (Unctad).

O encontro, realizado na sede da ONU, tem como objetivo analisar a busca de fontes de financiamento para o desenvolvimento, a instabilidade do mercado financeiro e o impacto da mudança climática.

Em seu pronunciamento, Ban lembrou da recente advertência do presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick, de que dobrar o preço dos comestíveis pode anular sete anos de progresso no campo do desenvolvimento e causar o empobrecimento de 100 milhões de pessoas.

Para evitar isso, o secretário-geral pediu o aumento da cooperação internacional para superar a grave situação econômica global que representa a perigosa escalada do preço dos alimentos e a instabilidade dos mercados financeiros globais.

"A necessidade de conseguir um desenvolvimento sustentável e equitativo, tanto nos países pobres como ricos, é indiscutível", assegurou.

Ele lembrou a recente declaração do Programa Mundial de Alimentos (PMA) de que o custo de manter suas operações aumentou de US$ 500 milhões a US$ 750 milhões por causa da alta no mercado dos alimentos.

Seis anos depois do Consenso de Monterrey sobre o financiamento para o desenvolvimento, o principal responsável da ONU assinalou que deve ser buscada uma nova gama de fontes de financiamento que sejam mais estáveis e previsíveis perante a reticência dos Governos a aumentar suas contribuições.

Ban também destacou em seu discurso o "caso especial dos países de renda média", para os quais é da mesma importância que tenham "um melhor acesso" aos grandes mercados e que precisam de transferência de tecnologia e conhecimentos para reforçar suas economias.

Ao mesmo tempo, pediu a criação de "regulações inovadoras e fortes" internacionais em colaboração com a ONU para proteger os mercados financeiros que foram alterados pela crise hipotecária dos Estados Unidos.

Ban afirmou que os organismos reguladores se encontram fora de sintonia com o crescimento dos mercados financeiros nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

"A atual confusão nos mercados mundiais demonstra que essa brecha é insustentável", acrescentou.

A crise originada pelo preço dos alimentos e pela turbulência dos mercados financeiros se tornou, para os responsáveis das Nações Unidas, dois novos obstáculos em sua agenda para o desenvolvimento.

O secretário-geral declarou no início deste ano que a organização tentaria, em 2008, chamar a atenção da comunidade internacional às 1 bilhão de pessoas que vivem em pobreza extrema no mundo. EFE jju/db

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