Nairóbi, 6 nov (EFE).- O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, advertiu hoje em Nairóbi que o conflito do leste da República Democrática do Congo (RDC) pode afetar toda a região dos Grandes Lagos e pediu um imediato cessar-fogo.

Em uma Cúpula realizada hoje em Nairóbi, Ban também defendeu o reforço da missão das Nações Unidas na região (Monuc), que com 17 mil soldados é a maior da ONU no mundo, embora tenha ressaltado que a única solução possível para o conflito "tem que ser política" e não "pode ser militar".

O secretário-geral das Nações Unidas se reuniu com sete presidentes africanos, entre eles os da RDC, Joseph Kabila, e de Ruanda, Paul Kagame, que para ele são figuras essenciais para a solução do conflito.

O Governo de Kinshasa acusa Kagame de apoiar os rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), que nas últimas semanas ocuparam grande parte da província de Kivu Norte.

Por sua parte, as autoridades de Kigali acusam Kabila de respaldar os hutus da Força Democrática de Libertação de Ruanda (FDLR), relacionados com um genocídio em 1994 e que têm suas bases no leste da RDC, de onde realizam ataques em território ruandês.

O comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária da Comissão Européia, o belga Louis Michel, disse que nas conversas é necessário tratar o assunto da mineração ilegal no leste da RDC, de onde os rebeldes extraem estanho, ouro e, sobretudo, coltan, que é utilizado para os condensadores de equipamentos de alta tecnologia.

Com a venda destes minerais, os rebeldes obtêm grandes somas de dinheiro para armar e equipar suas guerrilhas, o que dificulta o desarmamento destes grupos.

A reunião que teve a presença de Ban contou também com representantes europeus e dos Estados Unidos. EFE pa/rr

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