Baltasar Garzón desiste de inquérito sobre Guerra Civil espanhola

O juiz espanhol Baltasar Garzón, conhecido por tentar extraditar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, desistiu de abrir um inquérito sobre a morte de aproximadamente 114 mil pessoas durante a Guerra Civil espanhola, nos anos 30, e durante parte do governo de Francisco Franco. No mês passado, Garzón havia prometido abrir um inquérito sobre o que chamou de crimes contra a humanidade.

BBC Brasil |

Mas o plano recebeu forte oposição de procuradores públicos.

O inquérito seria o primeiro a investigar as mortes e os desaparecimentos que aconteceram do início da Guerra Civil, em 1936, até os primeiros 15 anos do governo de Franco.

Garzón sugeriu que alguns dos homens que trabalharam para Franco poderiam ser processados.

Mas, na terça-feira, o juiz recuou, devido à oposição dos procuradores públicos e dos próprios colegas de Garzón na Alta Corte espanhola.

Provas
Os procuradores dizem que o inquérito viola a Lei da Anistia, aprovada após a morte de Franco, em 1975. Para eles, tribunais regionais - e não o nacional - devem lidar individualmente com o caso de pessoas desaparecidas ou mortas.

Em nota, Garzón disse ter visto provas documentais de que todos os principais colaboradores de Franco estão hoje mortos.

O anúncio de Garzón pôs fim a uma comissão de "verdade e reconciliação" estabelecida na Espanha, que era supervisionada pelo juiz.

A decisão de Garzón divide os espanhóis. Para alguns, o juiz foi vítima da sua própria vaidade e seu plano contrariava o espírito de unidade que caracterizou a transição democrática na Espanha.

Já para muitos parentes de vítimas, Garzón era visto como a principal esperança de conseguir justiça depois de sete décadas da Guerra Civil Espanhola.

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