Balé Bolshoi apresenta um clássico sobre a Revolução francesa

A lâmina da guilhotina se abate com um ruído surdo, a multidão dança freneticamente e avança, ameaçante, enquanto um jovem camponês chora sua bem-amada decapitada, filha do marquês: o Bolshoi retomou um balé soviético sobre a Revolução francesa (que está completando 219 anos nesta segunda-feira), numa versão expurgada de conotações ideológicas.

AFP |

Intitulado "La Flamme de Paris", A chama de Paris, encenado pela primeira vez em 1932, laureado 15 anos mais tarde com o prêmio Stalin - nome do ditador soviético que o apreciava particularmente -, é também célebre por seu final: uma marcha impressionante na qual os participantes visam a platéia com armas estranhas.

Assim, se este balé glorifica a origem da Revolução e o povo rebelado, esta nova versão é hoje o reflexo de sentimentos ambivalentes sobre o assunto tratado.

O libreto, inspirado no romance de Félix Gras "Les Rouges du Midi", não se atém mais à "história do povo revolucionário derrubando os aristocratas, mas o drama amoroso de pessoas presas no turbilhão dos acontecimentos históricos", explica Alexeï Ratmanski, diretor artístico do Bolshoi e que assina este novo espetáculo.

O cenário deve-se a uma nostalgia da velha cultura do século XVIII, a cargo de Ilia Outkine.

As 300 vestimentas históricas transformam os 140 artistas - toda a trupe do Bolshoi - em camponeses, rebeldes, aristocratas.

Apesar de todas as transformações sofridas pelo libreto, o espetáculo nada perde do dinamismo. As danças do povo revolucionário são tão inflamadas que o assalto ao castelo de Versalhes e o grande incêndio final parecem uma seqüência lógica.

E o drama das jovens vidas ceifadas pela revolução se mistura ao triunfo dos insurgentes.

O Ballet Bolshoi, a Companhia do Grande Teatro Acadêmico para Ópera e Balé de Moscou, teria começado em 1773 quando um grupo de bailarinos - meninos e meninas carentes - freqüentava aulas ministradas num orfanato de Moscou, numa época em que a capital ainda era Leningrado.

A sede atual do Teatro Bolshoi é tombada pela Organização das Nações Unidas como Patrimônio Arquitetônico e Cultural da Humanidade.

No início do século XX, dirigido por A. Gorski (1878 a 1924), o Bolshoi buscava uma nova identidade. Com a capital do país saindo de Leningrado e vindo para Moscou a companhia começa a receber maior incentivo do governo, podendo investir em seus talentos e pagar por aqueles formados pela Escola do Ballet Kirov, que passou a ter o mérito de formadora técnica e estilo impecável, enquanto que o Bolshoi torna-se famoso pela projeção de grandes estrelas, dando vitalidade ao balé russo.

No Brasil foi aberta uma Escola do Teatro Bolshoi em Joinville, Santa Catarina, com a proposta de formar artistas cidadãos, promovendo e difundindo a arte-educação. Esta escola pretende trabalhar nos mesmo ideais sociais que deu origem a Escola Coreográfica de Moscou, em 1773, proporcionando o desenvolvimento cultural das crianças dos setores mais carentes.

or-bds/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG