Balanços colocam em debate bandeiras eleitorais de Dilma e Serra

A divulgação do balanço do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e dos números sobre a violência no Estado de São Paulo, ambos nesta semana, colocou em evidência algumas das bandeiras dos dois principais pré-candidatos nas eleições presidenciais deste ano, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT, e o governador José Serra, do PSDB. Na superfície dos números, Dilma parece ter notícias melhores para apresentar, ao divulgar dados que apontam que 63,3% dos recursos destinados às obras do PAC foram investidos até o final do ano passado.

BBC Brasil |

Já o governador de São Paulo, José Serra, teve que enfrentar números que apontam um aumento na violência no Estado, onde a diminuição nos índices de criminalidade na última década tem sido uma das grandes vitrines dos 15 anos de gestão do PSDB.

Ambos os balanços abrem margem para questionamentos e argumentações tanto de defensores como de detratores das duas pré-candidaturas.

PAC
Lançado em 2007 e contando com um montante de R$ 646 bilhões para a realização de obras em áreas que abrangem infraestrutura, energia, saneamento e habitação, o PAC é a principal vitrine da candidatura da ministra Dilma Rousseff, que não tem nenhuma experiência em cargos eletivos.

Alçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao posto de "mãe do PAC", Dilma conta com o bom andamento do programa para tentar convencer os eleitores de que está preparada para assumir a Presidência no ano que vem.

Os números divulgados pela ministra no balanço de três anos do programa, na última quinta-feira, apontam que a maior parte dos investimentos destinados às obras do PAC já foi executada e que os projetos já concluídos representam 40,3% de todo montante.

Na opinião de Gil Castello Branco, consultor de economia da ONG Contas Abertas, no entanto, os dados mais importantes sobre os últimos três anos do PAC devem ser divulgados posteriormente, quando forem publicadas pelo governo as informações detalhadas sobre as obras ligadas ao programa nos Estados e no Distrito Federal, o que permitirá uma avaliação do andamento de cada um dos empreendimentos.

Um levantamento feito pela ONG com dados relativos ao período que vai até agosto do ano passado e que foram divulgados pelo governo em dezembro aponta que, até a data, apenas 9,8% das obras do PAC teriam sido concluídas.

Este levantamento inclui obras de habitação e saneamento, que não são incluídas nos balanços gerais do PAC. Caso estas obras fossem excluídas, o número de empreendimentos inaugurados até agosto do ano passado teria sido de 31%.

Para o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), no entanto, as acusações sobre uma suposta lentidão nas obras do PAC são infundadas.

"O Brasil nunca teve tanta obra (como hoje) nos últimos 30 anos. O problema da oposição é que ela está divorciada disso", disse Vaccarezza à BBC Brasil.

São Paulo
Do outro lado do espectro político, a administração do Estado de São Paulo, que está há quinze anos nas mãos do PSDB, deve ser a grande vitrine usada pelo governador José Serra durante sua possível campanha à Presidência.

Depois de uma década de bons indicadores sobre a diminuição da violência, no entanto, Serra teve de se deparar nesta semana com números que indicam um aumento da criminalidade no Estado no último ano.

Informações divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado na quarta-feira apontam que houve um aumento de 18% no número de roubos em São Paulo entre 2008 e 2009, fazendo que a prática deste tipo de crime atingisse um recorde.

Os dados também indicam que o número de homicídios no Estado, que vinha caindo há dez anos, registrou uma alta de 3% em 2009.

Em declarações à imprensa na última quinta-feira, Serra atribuiu o aumento da criminalidade em São Paulo "ao desemprego e à crise" econômica, que atingiu o país com mais força no início de 2009.

Ainda de acordo com o governador, depois de piorarem, os índices de criminalidade caíram nos últimos meses de 2009.

Também segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, foi registrada uma "tendência de queda da criminalidade" no final do ano passado.

De acordo com a secretaria, houve uma queda de 4,73% no número de homicídios no último trimestre de 2009 frente ao mesmo período de 2008.

Para o deputado João Almeida, líder do PSDB na Câmara, o fato de os índices de criminalidade em São Paulo terem registrado redução na última década também deve ser levado em conta na análise dos dados.

"O histórico de São Paulo é de redução significativa (nos índice de violência). Se houve uma pequena variação... isso não é uma inversão de tendência", disse à BBC Brasil.

Impacto
O analista Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, questiona o real impacto que os dados sobre o PAC e as informações sobre o aumento na violência em São Paulo podem ter sobre o eleitorado na atual conjuntura.

Para ele, o PAC não deve alavancar uma grande quantidade de votos para Dilma Rousseff.

Citando pesquisas feitas pelo instituto, ele afirma que apenas cerca de 1/3 do eleitorado tem alguma informação sobre o programa, enquanto entre 5% e 6% conhecem o projeto de maneira "sistemática".

"(O PAC) na verdade é uma sigla abstrata", diz Guedes, que afirma que muitos eleitores tendem a atribuir algumas das obras do programa a prefeituras, deputados ou governos estaduais.

Sobre os números relativos ao aumento na violência em São Paulo, Guedes diz que seria necessário fazer uma pesquisa sobre este caso específico, mas que, em situações similares, o eleitor costuma "distribuir" a responsabilidade pelo não combate à criminalidade entre governos estaduais e o governo federal.

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