Balanço inédito confirma alta preocupante de crimes com facas na Grã-Bretanha

Um balanço inédito feito pelo Ministério do Interior britânico confirmou a alta preocupante dos crimes com facas na Inglaterra e no País de Gales, onde, no ano passado, foram registradas cerca de 22 mil ocorrências, entre roubos, tentativas de assassinato e homicídios. Desse total, mais de sete mil foram registrados em Londres, onde somente neste ano 21 jovens já morreram esfaqueados, entre eles um estudante de 16 anos cuja morte foi confirmada nesta sexta-feira.

BBC Brasil |

Além disso, o caso dos dois franceses mortos com um total de 243 facadas também reacendeu o debate sobre o problema dos crimes com facas no país.

Até o início de 2007, as estatísticas quanto aos crimes envolvendo facas não eram separadas das de outros crimes, mas, com o aumento desse tipo de ocorrência, em abril do ano passado a polícia decidiu passar a fazer uma contagem separada, que agora foi divulgada pela primeira vez.

Queda da criminalidade
Apesar da incidência dos crimes com facas, o relatório divulgado pelo governo britânico indica que o índice geral de crimes no país caiu em 9% no período 2007/2008.

Como resposta ao crescente número de esfaqueamentos, o governo britânico anunciou no fim de maio um pacote de medidas para reduzir os casos desse tipo de crime.

No dia 5 de julho, logo depois da morte do 18º jovem em 2008, a polícia de Londres anunciou que os crimes com facas haviam substituído o terrorismo como prioridade para a polícia.

Na ocasião, a polícia revelou os primeiros dados da chamada Operação Blunt 2 - lançada em maio para reduzir as ocorrências.

Segundo a polícia, desde o início das ações, entre os dias 19 de maio e 29 de junho, 27 mil pessoas foram revistadas, 1,2 mil foram presas e 500 facas foram apreendidas. A polícia afirmou ainda que, entre os presos, 95% haviam sido acusados por crimes armados.

Medo
Apesar dos esforços para combater a violência e os esfaqueamentos no país, as notícias sobre os crimes ganham cada vez mais destaque nos jornais britânicos e contribuem para o clima de preocupação entre a população.

O tablóide Daily Mail, por exemplo, publicou cerca de 30 matérias sobre o problema somente nos últimos sete dias.

Entre as manchetes que ganharam as páginas - e, em alguns casos, as capas - do jornal, estão "Pesquisa chocante revela que 353 mil pessoas carregam facas", e "Criminosos cometem 350 assaltos com facas todos os dias", entre outras.

A matéria de capa da quinta-feira, "Facas: Porque nenhuma parte da Grã-Bretanha está segura", tratou da expansão dos crimes para as áreas rurais do país.

O assunto foi também matéria de capa do jornal The Times na quinta-feira. Com o título "Queda nos crimes mascara o medo de armas e facas", a reportagem discute a queda no índice geral de crimes no país, anunciada pelo relatório oficial do governo, mas afirma que os resultados desafiam a preocupação pública sobre o problema das facas.

Além disso, o Times afirma ainda que os resultados da pesquisa nacional sobre o crime irão reacender o debate sobre a validade dos dados oficiais sobre o problema.

Somente nesta sexta-feira, depois da divulgação do relatório, o jornal britânico The Guardian traz oito matérias sobre o assunto, inclusive um editorial sobre a questão da histeria causada pela extensa cobertura da imprensa sobre o assunto.

O jornal aponta para o fato de que a atenção da imprensa e dos políticos para o assunto pode contribuir para o clima de tensão da população.

"Por mais que os governos queiram desejar o contrário, as pessoas sempre irão julgar os riscos sociais com base no que ouvem e sentem, assim como no que acontece com elas. Por isso, apesar do anúncio de que o crime caiu 10% no último ano, e vem caindo desde 1995, o que importa é que o relatório divulgado ontem mostra que 65% das pessoas acreditam que a criminalidade continua subindo", afirma o Guardian.

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