Baixo comparecimento eleitoral pode prejudicar Berlusconi

ROMA - Descontentes com o atual clima de disputa política, muitos italianos deixaram de votar na eleição regional de domingo e segunda-feira, o que pode prejudicar os candidatos ligados ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

Reuters |

EFE
Berlusconi vota em Milão
"Estamos todos um pouco enojados. Está claro que eles falaram pouco de conteúdo e muito de disputa política, o que não agradou ninguém", disse o eleitor romano Armando Rizzo.

A votação - em que mais de 41 milhões de eleitores estavam aptos a escolher 13 dos 20 governadores regionais, quatro chefes provinciais e os vereadores de quase 500 cidades - era considerada um termômetro do apoio popular a Berlusconi, há dois anos no cargo.

O magnata da mídia mergulhou de cabeça na campanha, conclamando seus seguidores a não repetir na Itália o baixo comparecimento eleitoral das eleições regionais francesas deste mês, cujo resultado foi ruim para o presidente Nicolas Sarkozy.

As eleições terminaram nesta segunda-feira às 15 horas locais (10 horas de Brasília) com um forte índice de abstenção, segundo as primeiras estimativas. A participação foi de 64,6%, uma queda de cerca de 8 pontos porcentuais em relação às eleições regionais de 2005, que foi de 72%, segundo as primeiras estimativas do Ministério do Interior.

Em uma pequena cidade da Calábria, no sul, apenas 2,8% do eleitorado votou em protesto, porque se "sentem abandonados pelas instituições e pelos políticos".

Desemprego

Os institutos de pesquisa dizem que o eleitorado sente que, durante a campanha, os políticos não apresentaram propostas convincentes para a sua maior preocupação, a questão do emprego. A campanha acabou sendo dominada por disputas partidárias e por um escândalo de corrupção envolvendo um funcionário do governo Berlusconi.

Após um 2009 turbulento para o primeiro-ministro - marcado por um divórcio, um escândalo com prostitutas, ameaças judiciais e até uma agressão em praça pública -, ele agora está sendo investigado por supostamente tentar tirar do ar programas de entrevistas críticos ao governo.

Na avaliação dos institutos de pesquisa, um baixo comparecimento eleitoral será ruim para o partido Povo da Liberdade, de Berlusconi.

O eleitor romano Marco Stella deu à Reuters a seguinte explicação para o baixo comparecimento: "Está claro que as pessoas estão fartas de todos esses jogos políticos."

As pesquisas apontam que a centro-direita deve manter o controle das regiões da Lombardia e do Vêneto, no próspero norte italiano, além de conquistar a Calábria e possivelmente a Campania, no sul.

A centro-esquerda deve manter pelo menos cinco regiões, sendo quatro delas em seu tradicional reduto industrial no centro do país - Emilia Romagna, Toscana, Úmbria e Marche -, além da Basilicata, no sul. Quatro outras regiões, incluindo Piemonte (norte) e Lacio (centro, onde fica Roma), estão indefinidas.

*Com informações da Reuters e AFP

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