Baixa participação marca segundo turno das presidenciais no Zimbábue

Harare, 27 jun (EFE).- O segundo turno das eleições presidenciais do Zimbábue começou hoje com uma baixa participação, em uma votação marcada pela ausência da oposição, como comprovou a Agência Efe.

EFE |

Apenas cerca de dez pessoas esperavam nos principais colégios eleitorais da capital para poder votar antes das 7h (2h de Brasília), enquanto outras começavam a receber eleitores uma hora após a abertura.

Este cenário contrastava com o dia de votação do primeiro turno, em 29 de março, na qual horas, antes da abertura dos colégios, centenas de pessoas esperavam para exercer o direito ao voto.

Durante as primeiras horas da votação de hoje, praticamente não houve atos violentos em Harare, e a maioria da população continuava a vida cotidiana.

"O candidato em quem eu queria votar se retirou das eleições, portanto, não há necessidade de exercer meu direito", disse à Agência Efe o funcionário de banco Tawanda Muchero.

Robert Mugabe, presidente do Zimbábue desde a independência do país, em 1980, é o único candidato neste segundo turno das eleições presidenciais.

Morgan Tsvangirai, líder do partido da oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC), se retirou da disputa no domingo passado, a apenas cinco dias da realização do segundo turno.

Tsvangirai alegou que não podia seguir adiante devido à campanha de violência e intimidação por parte de Mugabe e de seu Governo, com a ajuda dos veteranos da Guerra da Independência, contra os partidários do MDC.

Tsvangirai emitiu hoje uma carta na qual pedia à população que não fosse votar, exceto se corresse perigo.

"Se for possível, pedimos que não votem", disse Tsvangirai na carta. "Mas se tiverem que votar em Mugabe porque sua vida está em risco, façam isso", esclareceu.

No primeiro turno, realizado em 29 de março, o MDC obteve o poder no Parlamento, mas nenhum dos candidatos à Presidência conseguiu a maioria absoluta necessária que Constituição do Zimbábue determina, segundo dados oficiais.

O MDC conseguiu 47,9% dos votos no primeiro turno, contra 43,2% do presidente Mugabe.

No entanto, estes resultados foram rechaçados pelo líder opositor Tsvangirai, que afirmou ter vencido as eleições com 50,3% dos votos.

Os analistas declaram que estas eleições são ilegais, já que, segundo a leis eleitorais do Zimbábue, o segundo turno deve ser realizado até 21 dias depois da publicação dos resultados do primeiro turno. Neste caso, quase dois meses separam as duas votações. EFE sk/an

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