Bactérias dependem de um só gene para habitar animais diferentes

(Embargada até as 16h do domingo, 1º de fevereiro) Redação Internacional, 1 fev (EFE).- A mudança das bactérias de seu anfitrião para outro de uma espécie diferente pode depender de um único gene, segundo matéria publicada hoje pela revista científica inglesa Nature.

EFE |

Todos os animais mantêm relações de simbiose com as bactérias.

Elas recebem alimento ou um ambiente seguro em troca de prestar serviços tais como proteger contra doenças ou ajudar a fazer a digestão.

No entanto, as bactérias também são perigosas para os organismos, já que podem atuar como parasitas que causam infecções em seus anfitriões.

Ao longo de muito tempo, os cientistas tentaram esclarecer como as bactérias encontram seu receptor ideal e como aquelas de uma mesma espécie podem habitar em animais bem diferentes.

Agora, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, descobriu que um único gene pode ser suficiente para mudar a predileção por um receptor.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas estudaram o genoma de duas bactérias luminiscentes da mesma espécie -vibrio fischeri- que convivem em harmonia no oceano Pacífico com uma pequena espécie de lula e com um peixe, dois animais bastante diferentes.

O peixe é capaz de iluminar as cavidades do recife no qual vive e atrair plancton -do qual se alimenta- graças à ação da bactéria.

Por sua vez, na pequena lula, a bactéria ativa um mecanismo de camuflagem noturno que imita a luz da lua para evitar que ela seja presa fácil para os predadores.

As bactérias presentes no peixe são incapazes de colonizar a lula, apesar de o material genético de cada uma ser muito parecido com o da outra.

Isso acontece porque a estrutura genética de ambas se conservou ao longo de milhões de anos de história evolutiva, mas com uma diferença básica: a bactéria que coloniza a lula possui um gene regulador que controla e ativa outros genes que são os responsáveis por sua entrada no animal.

Esses genes responsáveis pela colonização, através da criação de uma espécie de película biológica, também estão presentes na bactéria do peixe, mas ele não tem justamente esse que os regula, condição indispensável para se relacionar-se com a lula.

O gene regulador entrou na linhagem da bactéria e ativou outros genes que haviam residido em seu material genético sem se manifestarem até então.

Os cientistas explicam que as bactérias podem mudar de espécie graças a pequenas mudanças reguladoras em seu DNA, mais do que pela aquisição de numerosos genes.

A equipe aponta que é muito provável que este mecanismo aconteça em diversas espécies de bactérias, incluindo aquelas que causam doenças nos humanos.

Portanto, afirmam que a descoberta genes que são chave para a colonização de um indivíduo poder ser muito importante para desenvolver tratamentos que erradiquem ou controlem doenças. EFE vmg/jp

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