Pequim, 14 abr (EFE).- A presidente do Chile, Michelle Bachelet, destacou a importância de se trabalhar por uma globalização mais igualitária e um desenvolvimento socialmente mais justo durante o discurso na Escola Central do Comitê Central do Partido Comunista da China.

"Conhecemos bem os efeitos da globalização que somente poderemos resolver se conseguirmos aumentar nossa capacidade de coordenação internacional", pois "as ações unilaterais não são capazes de solucionar os problemas", afirmou Bachelet.

A presidente do Chile, que foi recebida pelo vice-reitor da Escola, Li Jing Tian, afirmou ainda que "melhorar o Estado moderno significa também lutar contra a corrupção e por uma maior transparência".

Segundo ela, a democracia chilena se dispôs a transformar um Estado liberal muito ortodoxo em outro que garanta os direitos de todos e de cada um, a mudar o conceito de Estado subsidiário pelo dos direitos universais, a lutar contra a pobreza e suavizar a vulnerabilidade.

"Toda pessoa deve ter todas as oportunidades, pois em um país democrático cada cidadão exige e reivindica", declarou.

Primeira chefe de Estado da América Latina a estar na Conferência Anual do Fórum Boao para a Ásia (BFA, em inglês), Bachelet, que em 2004 já havia visitado o país como Ministra da Defesa, comparou o desafio chileno com o chinês "de seguir crescendo economicamente e conseguir com que a prosperidade chegue a cada um de seus filhos".

Segundo Bachelet, em conversas com o presidente Hu Jintao, com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e com o presidente da Assembléia Nacional Popular (ANP) da China, Wu Bangguo, ela pôde comprovar que, respeitadas as devidas proporções, ambos os países estão "na mesma linha".

Para a presidente chilena, um dos eixos das reformas que buscam a coesão social no Chile é o da "integração da mulher para que desenvolva plenamente suas capacidades".

No entanto, Bachelet afirmou que, embora seu país ocupe a 37º posição em competitividade segundo o Fórum Econômico Mundial, o número de mulheres no Parlamento, empresas e bancos é pequeno.

"Ainda nos falta muito, mas persistimos para que as mulheres tenham mais espaço e mais responsabilidades", acrescentou.

Outro desafio apontado por Bachelet é o do desenvolvimento regional. Segundo ela, por causa do atual sistema o Chile é um país "muito centralizador, acostumado a decidir tudo a partir da capital".

Durante o discurso para a elite da Escola, Bachelet destacou que "o desenvolvimento de um país deve ser conduzido de forma igualitária".

"No Chile conseguimos (com o liberalismo) desenvolvimento econômico seguindo as indicações das Instituições de Breton Woods.

Ao recuperarmos a democracia o índice de pobreza era de 40%. Hoje é de 19%", declarou.

Bachelet ressaltou ainda que a jovem democracia chilena precisou empreender a reforma da Justiça, "em alguns setores muito precária", e a da Saúde, iniciada quando ela era ministra da Saúde, "que se empenhou em dar cobertura de bens e serviços a pessoas que não recebiam".

Sobre as relações comerciais com a China Bachelet disse que entre 2006 e 2007 o comércio bilateral aumentou quase 90%. Segundo ela, os negócios ultrapassaram US$ 15 bilhões.

A presidente chilena, que termina amanhã a visita de cinco dias à China, encerrou seu discurso pedindo que se redobrem os esforços contra a pobreza e a desigualdade e que se trabalhe para alcançar, pelo menos, os Objetivos do Milênio definidos em 2000 e evitar o fracasso da Rodada de Doha e do retorno do protecionismo. EFE pc/rr/fal

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