Bachelet nega crise de abastecimento no Chile; mortos por terremoto chegam a 802

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, negou nesta quarta-feira a existência de uma crise de abastecimento de alimentos ou de combustíveis no país, atingido por um terremoto no sábado. Segundo o governo, subiu para 802 o número de mortos na tragédia.

iG São Paulo |




Mercado da cidade de Lota é saqueado no Chile / Reuters


Após uma reunião ministerial que contou com a participação do setor empresarial, Bachelet pediu calma à população. "Aqui não há desabastecimento. Há alimentos suficientes e combustível também. É preciso ter tranquilidade nos lugares onde são realizadas as distribuições (de alimentos)", disse.

"Pedi aos empresários que buscássemos de todas as formas necessárias para proteger os empregos. Não queremos que todo esse drama, de quem perdeu parentes e suas casas, fique ainda pior com a desocupação", completou Bachelet.

'Às portas do desenvolvimento'

Segundo a presidente, antes da catástrofe, o Chile estava "às portas do desenvolvimento" e, em sua opinião, o país "está em condições de se reerguer".

Este ano, Chile foi o primeiro país da América do Sul a entrar para a Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), definida como clube dos países ricos. O país vinha sendo elogiado pela forte redução da pobreza, apesar de ter ampliado a brecha social entre os que ganham mais e os que ganham menos.

No seu discurso desta quarta-feira, a presidente disse que a meta agora é atender, primeiro, as situações de emergência e depois "trabalhar juntos" para a reconstrução do Chile.

Segundo Bachelet, o serviço de energia elétrica já está sendo restabelecido nas regiões de Maule e Bío Bío, mas o porto de Tacahuano está paralisado e o desastre, afirmou, afetou diferentes setores da economia, como agricultura, pesca e fábricas de celulose.

'Pouco enfático'

Também na terça-feira, o comandante da Marinha, almirante Edmundo González, disse em entrevista à TVN que a corporação enviou dois alertas de tsunami ao escritório de emergência do país (Onemi, na sigla em espanhol), mas que o serviço foi "pouco enfático" sobre os riscos, indicando que houve um erro no caso.

"O epicentro foi na terra. Por isso, não deveria haver tsunami", foi a informação dada à presidente pelo Serviço Hidrográfico e Oceonográfico (SHOA), ligado à Marinha, de acordo com reportagem do jornal chileno El Mercurio.

"A presidente ligou para o SHOA por volta das 5h15 para saber se era mantido o alerta que tínhamos feito 1h10 antes (pouco depois do terremoto). Fomos pouco claros na informação que lhe demos", disse.

"Não fomos suficientemente precisos para dizer a presidente se se mantinha ou se cancelava o alerta. Titubeamos", disse o almirante.


Com Reuters e BBC

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