SANTIAGO DO CHILE - O governo de Michelle Bachelet ordenou que o Congresso dê prioridade máxima à votação de um projeto de lei que obriga autoridades de alto escalão do Chile, com patrimônio superior a US$ 19 milhões, a delegarem temporariamente a administração de suas fortunas - medida que parece ter como alvo o candidato oposicionista Sebastián Piñera, favorito ao segundo turno das eleições presidenciais, em 17 de janeiro.

EFE
Sebastián Piñera
Sebastián Piñera, candidato da direita

Segundo analistas, o caráter de urgência tem clara intenção eleitoral, pois coloca sob os holofotes o patrimônio de Piñera, estimado em US$ 1,4 bilhão. Piñera, que obteve 44% dos votos no primeiro turno, enfrenta em janeiro Eduardo Frei, da coalização governista de centro-esquerda Concertação, há 20 anos no poder.

"O envio (do projeto ao Congresso) tem a ver exclusivamente com o resultado das eleições, e é uma forma de pressionar Piñera", comentou Ricardo Israel, advogado e cientista político.

O caráter de urgência obriga as duas Casas do Congresso a discutir o projeto em no máximo dez dias cada uma, o que pode fazer com que a lei seja sancionada antes do dia 17 de janeiro.

"Vejo isso como uma estratégia para poder colocar na agenda do segundo turno o papel de empresário de Piñera", disse à AFP o analista Guillermo Holzmann.

A ideia, segundo Israel e Holzmann, é polarizar a campanha entre ricos e pobres e atrair os eleitores dos outros dois candidatos do primeiro turno, o dissidente de esquerda Marco Enríquez, que obteve 20% dos votos, e o representante do Partido Comunista Jorge Arrate, que ficou com 6% e já anunciou seu apoio a Frei.

Consciente de que sua fortuna é um potencial flanco de críticas, em abril Piñera delegou a administração de grande parte do dinheiro a quatro corretoras privadas, em um fideicomisso cego, o que significa que o candidato não pode saber de que maneira seus bens estão sendo administrados por essas entidades.

O empresário, no entanto, manteve sob seu comando a emissora de televisão Chilevisión, além de sua participação acionária no clube de futebol Colo Colo e na companhia aérea Lan Chile - que se comprometeu a vender se for eleito presidente.

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