Cochabamba (Bolívia), 17 out (EFE).- A presidente do Chile, Michelle Bachelet, incentivou hoje a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) a transformar a crise econômica internacional em uma oportunidade para aprofundar a integração e construir políticas que minimizem os efeitos da recessão.

Bachelet, presidente temporária da Unasul, inaugurou hoje em Cochabamba (Bolívia), junto com o presidente boliviano, Evo Morales, um encontro de legisladores da entidade, que tem por objetivo definir o nascimento do futuro Parlamento sul-americano.

"A Unasul pode e deve ter um papel fundamental para transformar a crise econômica em uma oportunidade de se aprofundar a própria integração", ressaltou a presidente chilena.

Segundo ela, os países da América do Sul e, em geral, da América Latina devem ser capazes de "construir políticas conjuntas econômicas e sociais que consigam minimizar os efeitos sociais" da crise financeira internacional.

Bachelet afirmou que este ciclo de recessão é motivado pela falta de regulação dos mercados e que foi provocado pelos mesmos que antes davam "receitas de como fazer as coisas bem".

Após defender a necessidade de Estados fortes que garantam eficiência na regulação de mercados e que assegurem a proteção dos mais pobres, Bachelet recomendou "atuar rápido", pois a crise afetará o fluxo de investimentos, as exportações e o crescimento da região.

"Não podemos ficar de braços cruzados", disse Bachelet, que incentivou os Governos da Unasul e da América Latina a defenderem os avanços alcançados na região: consolidação da democracia e crescimento econômico.

"Não podemos permitir que a crise internacional produza retrocessos nas conquistas da América Latina e da América do Sul", destacou.

Segundo ela, "chegou a hora de fortalecer regulações globais, encontrar novos equilíbrios entre o global e o nacional e, sobretudo, acelerar a reforma das instituições multilaterais no político e no financeiro".

Também reivindicou que as economias emergentes, "grandes e pequenas", sejam incorporadas à negociação e pediu que o debate internacional seja mais democrático.

Bachelet mostrou-se defensora de que os presidentes da Unasul tratem destes assuntos em reunião que poderá ser realizada durante a Cúpula Ibero-Americana de El Salvador, no fim deste mês, ou na reunião do Mercosul, que acontecerá na Bahia, no início de dezembro.

A presidente temporária da Unasul está hoje na Bolívia a convite de Evo Morales por ocasião da reunião de congressistas e legisladores dos Estados da América do Sul para definir o nascimento do Parlamento deste organismo.

O objetivo da reunião de Cochabamba é constituir um grupo de trabalho que se encarregue de estruturar o projeto, segundo o vice-presidente da Bolívia e anfitrião do encontro, Álvaro García Linera. EFE sam/fh

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