Bachelet inaugura fundação no Chile para apoiar reconstrução do país

Santiago do Chile, 16 abr (EFE).- A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, lançou hoje a Fundação Dialoga, para apoiar a reconstrução do país e buscar um contrapeso sociopolítico à inédita concentração de poder, que segundo sua opinião, representa o Governo de Sebastián Piñera.

EFE |

Bachelet anunciou que a fundação trabalhará com outros grupos progressistas, sindicatos e ONGs "para gerar o contrapeso necessário de ideias e propostas à inédita concentração de poder político, econômico e comunicacional no Chile".

A ex-presidente também criticou duramente os conflitos de interesses entre personalidades com autoridades públicas e assuntos empresariais, em uma alusão implícita ao Governo de Piñera.

"Não aceitamos a concepção de poder que mistura a política e os negócios, uma mistura profundamente corrosiva para nossa convivência democrática que pode afetar gravemente a governabilidade", declarou Bachelet, durante o lançamento da fundação, que será presidida por ela.

Os conflitos de interesses entre os membros do novo Executivo fizeram parte do debate político no Chile nos últimos dias.

Sobre o assunto, Bachelet advertiu que "a noção do Chile como uma grande empresa pode levar às piores confusões".

"É indispensável velar pela correção dos procedimentos nos assuntos públicos e evitar a todo custo os conflitos de interesses.

Devemos cuidar da ordem legal e do suporte ético que dá sentido a ela", disse.

Bachelet aproveitou o evento para enviar uma mensagem a partidos e dirigentes do partido Concertação, envolvidos em discussões internas por causa da derrota eleitoral e da preparação das assembléias para escolherem os novos líderes.

"A Concertação foi e deve continuar sendo a convergência das diversas visões progressistas e a expressão da vontade de representar a maioria dos cidadãos", ressaltou a ex-governante.

Em alusão ao terremoto de 27 de fevereiro, Bachelet disse que depois que a população e as autoridades permaneceram durante horas sem poder comunicar-se com normalidade, o país adquiriu "plena consciência" de que estava vivendo uma crise.

"Na política é a mesma coisa: quando se tem um problema de comunicação com a maioria cidadã, temos graves problemas", disse.

Por isso, pediu a renovação de "pessoas, condutas e práticas para que a atividade política volte a ter legitimidade moral diante dos cidadãos".

"Modéstia, escutar muito e espírito de autocrítica" foi a receita dada pela ex-presidente do Chile para recuperar a confiança dos chilenos, tendo em vista as próximas eleições municipais, que serão realizadas em 2012.

A Fundação Dialoga tem como seus objetivos investir na reconstrução do Chile após o terremoto, além de querer recuperar a confiança dos cidadãos.

Além de ex-ministros, prefeitos e dirigentes dos partidos da Concertação, o evento também contou com a presença dos ex-presidentes democratas-cristãos Particio Aylwin e Eduardo Frei.

O ex-líder Ricardo Lagos, que se encontra nos Estados Unidos cumprindo sua função de delegado do secretário-geral das Nações Unidas para a Mudança Climática, enviou uma carta na qual ressalta que a nova fundação "contribuirá para fortalecer o diálogo cidadão, que faz tanta falta" no Chile.

"Compreender que após 20 anos (o tempo que a Concertação esteve no poder) o país mudou é o que nos permitirá reconquistar o vínculo com as maiorias cidadãs", aponta a carta do ex-presidente.

Este novo centro de pensamento e de ação da política chilena reúne personalidades com experiência na atividade pública, acadêmicos e dirigentes políticos e sociais.

A Fundação Dialoga conta em sua diretoria com ex-ministras como Carolina Tohá e Patricia Poblete.

A entidade também manterá contatos com centros de pensamento análogos de América Latina, Europa e Estados Unidos, como a Fundação Idéias, o Instituto Pablo Iglesias (vinculados ao Partido Socialista Operário Espanhol) e o Center for American Progress.

mf/pd

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