Bachelet fala de desafios da globalização para a América Latina

Londres, 3 abr (EFE).- Vestida com a toga que simboliza o recebimento do título de doutora honoris causa da universidade inglesa de Essex, a presidente chilena, Michelle Bachelet, falou hoje em Londres sobre os desafios da globalização para seu país e o restante da América Latina.

EFE |

Bachelet, que participa de uma conferência e de uma cúpula de líderes progressistas neste final de semana, foi recebida no palacete de Lancaster House pelo secretário de Estado para Assuntos Exteriores do Reino Unido, Kim Howells, que elogiou seu profundo compromisso com a justiça social e os valores democráticos.

Howells disse que a economia chilena é a "mais bem-sucedida" da região graças a sua abertura e demonstrou satisfação com a cooperação do Reino Unido com o país andino para fazer frente a desafios como a segurança energética e a mudança climática.

O vice-presidente da Canning House, referência ibero-americana em Londres, lorde Daniel Brennan, elogiou "a estabilidade do sistema financeiro chileno, o crescimento constante de sua economia e a importante redução da pobreza", além de ter elogiado "a forte democracia", que considerou "fruto do esforço do povo chileno".

Em nome da Universidade de Essex, a diretora de seu centro latino-americano, Valerie Fraser, falou da forte contribuição das mulheres chilenas à democratização do país e louvou o forte compromisso de Bachelet com a defesa dos direitos humanos.

Fraser também elogiou a habilidade da presidente chilena em construir pontes entre os diferentes grupos da sociedade civil e entre esta e o estamento militar.

Ao responder, Bachelet destacou que enquanto a Europa, após a devastação das duas guerras mundiais, se esforçava em chegar a acordos sobre cidadania, prosperidade e justiça social, os países latino-americanos estavam imersos em "enfrentamentos ideológicos e políticos".

De acordo com a chefe de Estado chilena, a América Latina aprendeu a lição e "o desafio principal" das nações da região é "a vontade de chegar a grandes acordos".

Bachelet definiu a "coesão social" como o segundo grande desafio; para ela, não é possível "construir economias sólidas ou democracias estáveis quando grandes setores da população estão excluídos do progresso".

O terceiro desafio é "uma maior integração regional", disse a presidente chilena, lembrando que a participação das exportações no Produto Interno Bruto (PIB) chileno quase dobrou na década que começa em meados dos anos 1990, superando o patamar de 20%.

Entretanto, Bachelet lamentou que o comércio dentro da América Latina continue sendo baixo, passando de 14% em 1990 para 17% em 2006. Na União Européia, por exemplo, este índice é de 66%.

Segundo a presidente chilena, isso se deve a diversos fatores, entre eles a contínua especialização na exportação de matérias-primas, que têm como destino preferencial o resto do mundo.

Outro motivo seriam os custos relativamente altos do comércio dentro da região, o que está relacionado a uma infra-estrutura pouco adequada, uma logística deficiente e elevados custos administrativos.

Bachelet ainda mencionou um quarto desafio: o de aproveitar os atuais preços elevados das matérias-primas da região, o que exige resistir a qualquer tentação populista e evitar a repetição dos erros e vícios do passado: corrupção, inflação descontrolada e, como resultado, "gerações de latino-americanos condenados à pobreza".

O Chile decidiu aproveitar o preço do cobre para investir em educação, inovação e transferência de tecnologia e no desenvolvimento de infra-estruturas, para aproximá-las dos produtores, e também para economizar parte dos recursos em benefício da previdência e de outras futuras despesas sociais. EFE jr/bba/fb

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