Bachelet e Piñera dizem que reconstrução do Chile demorará anos

Santiago do Chile, 4 mar (EFE).- A presidente do Chile, Michelle Bachelet, e seu sucessor, Sebastián Piñera, afirmaram hoje que a reconstrução do país após o poderoso terremoto de sábado será uma tarefa de vários anos.

EFE |

Enquanto as seguidas réplicas do terremoto de 8,8 graus na escala Richter continuam assustando, os dois milhões de desabrigados e os demais chilenos são ainda reféns do medo, mesmo com a ajuda começando a fluir.

O número de mortos na tragédia está em 802, segundo os dados oficiais mais recentes.

Embora as perdas materiais ainda não tenham se traduzido em números, Bachelet considerou hoje que as tarefas de reconstrução durarão praticamente os quatro anos do Governo Piñera, que assumirá o poder na próxima quinta-feira.

"Praticamente todo o próximo Governo ou pelo menos três anos do Governo próximo", disse a presidente à rádio local "ADN". "Vamos levar o país adiante", assegurou.

Bachelet assinalou que ainda não se tem uma dimensão exata dos danos em algumas partes, e comparou a catástrofe, que abrangeu grande extensão do território chileno, com outras similares ocorridas no passado, porém mais localizadas.

"Sempre falamos do terremoto de Chillán, do terremoto de Valdivia, do terremoto de Tocopilla", disse a presidente, que lembrou que neste último caso, em 14 de novembro de 2007, a reconstrução demorou dois anos.

Sebastián Piñera mostrou uma visão parecida ao apontar que, devido à emergência, precisou modificar o programa de Governo.

"Nosso futuro Governo não vai ser o Governo do terremoto, vai ser o Governo da reconstrução", disse o presidente eleito ao divulgar os nomes de seus representantes nas regiões mais atingidas pelo sismo.

Ele explicou que sua administração enfrentará a catástrofe em vários períodos. O primeiro passo será superar a emergência cidadã, encontrar desaparecidos, restabelecer os serviços básicos e pôr o sistema de produção novamente em andamento.

Depois, explicou, virá a reconstrução, que terá como eixo um plano que terá padrões mais modernos e eficientes. Outra etapa vai ser uma nova formulação do programa de Governo.

Piñera antecipou a designação de intendentes (governadores) nas regiões mais atingidas como sugeriu Bachelet, com o objetivo de que se integrem imediatamente aos comitês de emergência constituídos em cada uma das zonas para enfrentar a catástrofe.

Desse modo, quando assumirem formalmente os cargos, em 11 de março, estarão compenetrados nas tarefas em andamento.

Na região de Bío-Bío, uma das mais atingidas, foi designada Jacqueline Van Rysselberghe, atual prefeita de Concepción, que criticou o Governo Bachelet na gestão da crise.

Membro do conservador partido União Democrata Independente (UDI), Van Rysselberghe chegou a dizer que os desabrigados estavam abandonados porque não eram parentes de nenhuma autoridade.

Nos demais regiões, Piñera designou intendentes de perfil técnico e com experiência empresarial: Rodrigo Galilea (Maule); Fernando Echeverría (Santiago); Rodrigo Pérez Mackenna (O'Higgins) e Andrés Molina (Araucanía).

Enquanto isso, o desespero não deixa os desabrigados, apesar de a entrega de ajuda ter se regularizado e os serviços básicos de água e luz terem começado a ser separados em alguns setores das cidades mais atingidas.

Em Concepción, que segue sob toque de recolher noturno, da mesma forma que outras partes da região de Maule, abriram hoje alguns supermercados pela primeira vez desde o terremoto e dos saques que, nos dias após o tremor, davam a impressão de se tratar de uma cidade sem lei.

O rastro dos saques, no entanto, não desapareceu. A Polícia revirava hoje os escombros de uma loja de departamentos que foi incendiada para verificar rumores de que 19 pessoas teriam morrido ali.

Em Constituición, também na região do Maule, 45% da cidade já contam com energia elétrica e, além de alguns pontos comerciais, um banco está funcionando.

Para constatar a forma como a ajuda é distribuída, Bachelet percorreu hoje os centros de armazenamento instalados em Santiago, Concepción e Talca.

"Queremos assegurar que as coisas estão chegando ao povo. Uma das coisas que me desespera (...) é que o povo esteja sem as provisões básicas", disse o presidente eleito. EFE ns/rr

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