Bachelet e Brown rejeitam protecionismo contra a crise

Santiago do Chile, 27 mar (EFE).- A presidente chilena, Michelle Bachelet, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pediram hoje a todos os países que rejeitem o protecionismo econômico como medida para superar a crise financeira mundial.

EFE |

Brown, que se encontra em visita oficial ao Chile, afirmou inclusive que na próxima Cúpula do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes), que será realizada em 2 de abril, em Londres, apontará como "vergonhosa" esta prática aos países que recorram a ela.

Ele e Bachelet repassaram os temas da agenda bilateral e apontaram algumas das medidas para superar a crise que serão debatidas em Londres na semana que vem.

"Esperamos que o G20 enfrente a crise com novas propostas (...) e queremos insistir na rejeição a todas as formas de protecionismo, tanto o tradicional do comércio quanto as novas formas de protecionismo financeiro que vimos", disse Bachelet.

Brown, o primeiro chefe de Governo do Reino Unido que visita o Chile, foi mais incisivo e antecipou que "uma das mensagens que deve sair da cúpula (do G20) é que rejeitamos as tendências protecionistas, por isso, supervisionaremos os países e nomearemos como 'vergonhosos' aqueles que lançarem mão destas práticas".

Bachelet e Brown coincidiram em assinalar que a atual conjuntura econômica e social requer respostas "progressistas" e multilaterais, afastadas do "modelo neoliberal" que, segundo eles, imperou nos últimos tempos.

"Alguns acharam que bastava a mão invisível dos mercados, e hoje a humanidade está pagando um preço altíssimo por esse erro", afirmou governante chilena.

Bachelet afirmou que a falta de regulação dos mercados e de liderança política levaram o mundo à "maior recessão desde a crise de 1929", embora o mercado hipotecário americano onde ela se originou estivesse marcado por diversas intervenções estatais.

Em relação à cúpula do G20, na qual Reino Unido é anfitrião, mas na qual não participará Chile, Bachelet e Brown trataram outros assuntos que poderiam fazer parte da discussão das grandes economias mundiais, como o estabelecimento de estímulos fiscais para dinamizar a economia ou a estabilização dos sistemas financeiros.

A presidente chilena insistiu especialmente na necessidade, segundo ela, de injetar liquidez no Fundo Monetário Internacional (FMI) e nos bancos de desenvolvimento regionais, em particular no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Na agenda bilateral, os dirigentes repassaram as relações econômicas e comerciais entre seus países, assim como os acordos em matéria de educação superior que assinaram anteriormente.

Após a reunião, ambos viajariam para Viña del Mar, a 125 quilômetros de Santiago, onde participam, amanhã, da Cúpula de Líderes Progressistas, que reunirá chefes de Governo e de Estado e intelectuais de esquerda de 17 países, a fim de articular uma resposta comum contra a crise econômica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reuniu ontem com Brown, em Brasília, também participa desta cúpula. EFE gs/jp

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