A presidente do Chile, Michelle Bachelet, decretou, nesta quinta-feira, três dias de luto pelas 802 mortes já confirmadas provocadas pelo terremoto que atingiu o país no último sábado. O primeiro dia do luto oficial será neste domingo.

Bachelet sugeriu ainda que os chilenos coloquem a bandeira nacional na porta das casas em solidariedade às vítimas do desastre que abalou o país.

As declarações foram anunciadas no palácio presidencial La Moneda pelo secretário do Interior, Patrício Resende, que ainda leu parte da lista dos 279 mortos já identificados do terremoto.

Novo tremor
No momento em que Resende falava em frente a câmeras de televisão, o país registrou um novo tremor de 6,3 graus de magnitude. O terremoto ocorreu a 83 quilômetros da cidade de Calama, no norte do país, na região de Antofagasta.

De acordo com a diretora do Escritório Nacional de Emergência (Onemi, na sigla em espanhol), Carmen Fernández, o tremor desta quinta-feira não seria mais uma das centenas de réplicas já registradas desde sábado, mas um novo terremoto.

"Não é réplica daquele imenso terremoto. Este, agora, foi de menor intensidade e foi no interior do país, longe do mar e das áreas habitadas", afirmou. Segundo ela, o epicentro foi perto da fronteira com a Bolívia.

Testemunhas afirmaram que ouviram estrondos e que houve comoção, mas ainda não se tem relatos de feridos ou dos estragos causados pelo novo abalo.

Transporte
Desde sábado, a alternativa de acesso a Santiago, é a estrada. Com os estragos causados na torre de controle eno prédio do aeroporto da capital chilena, a operação aérea é limitada e aqueles que esperam por voos desde sábado têm prioridade de embarque.

A reportagem da BBC viajou entre Mendoza, na Argentina, e Santiago. No caminho, soldados argentinos entraram no ônibus para anotar os nomes dos voluntários que continuam chegando ao território chileno para participar da ajuda, principalmente em Concepción - destruída pelos tremores e alvo de saques a supermercados, lojas e casas.

No ônibus, além dos voluntários, profissionais da área de comunicação também estavam a caminho da capital para trabalhar na recuperação deste setor, também prejudicado pelos tremores.

A comunicação continua difícil ou ainda interrompida nas áreas mais afetadas, principalmente aquelas que foram arrasadas por tsunamis.

Já na entrada de Santiago aparecem cartazes eletrônicos de uma campanha nacional para arrecadar recursos para sobreviventes e familiares das vitimas fatais que dizem: "Chile ajuda o Chile".

Nas rodas de conversa, em Santiago, o assunto ainda são os tremores da véspera e as imagens da destruição que continuam chegando de lugares como Talcahuano, onde barcos foram empurrados pelas ondas e continuam em meio ao caos de casas destruídas e lojas saqueadas.

Uma das frases mais repetidas nas emissoras de rádio e canais tevê e pelos especialistas é: "depois do terremoto da natureza, vivemos o terremoto social".

Reconstrução
Ainda nesta quinta-feira, a presidente Bachelet afirmou que serão necessários quatro anos para a reconstrução das áreas abaladas.

"Praticamente todo o próximo governo (mandato de quatro anos) deverá ser dedicado à emergência e a reconstrução das regiões afetadas", afirmou.

Michele Bachelet entregará o cargo ao sucessor, Sebastián Piñera, na próxima quarta-feira.

Por sua vez, os presidentes dos dois principais partidos governistas, que são a base da frente de centro-esquerda Concertación, disseram que "vão apoiar" o próximo governo, de centro-direita e atual oposição, na reconstrução do país.

"Vamos cooperar com o presidente Piñera, com o que ele precise para que o Chile volte a se reerguer", disse Juan Carlos Latorre, presidente da Democracia Cristiana (DC).

No mesmo tom, o presidente do Partido Socialista, Fúlvio Rosse, afirmou que a legenda vai "colaborar" não só neste momento de emergência, mas igualmente na etapa de reconstrução.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.