O voto declarado da presidente do Chile, Michelle Bachelet, ao candidato oficial, Eduardo Frei, da frente Concertación, e suas críticas veladas ao opositor Sebastián Piñera, da Coalición por el Cambio (Frente para a Mudança, em tradução livre) esquentaram o encerramento da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais deste domingo.

Na sua participação mais contundente no processo eleitoral que vai escolher seu sucessor, Bachelet cutucou Piñera citando as especulações sobre o seu eventual desligamento de suas empresas, caso vença a eleição.

O candidato da oposição é um dos homens mais ricos do Chile. Entre seus negócios estão a companhia aérea LAN, o time de futebol Colo Colo, e a emissora de televisão Chilevisión.

Bachelet disse: "(O candidato governista) Frei é uma pessoa honesta. Ele tinha muitos negócios, mas os passou adiante. Separou os negócios da política e fez isso não depois de eleito", disse a presidente na quinta-feira.

Bachelet afirmou que um presidente com negócios privados pode "limitar o necessário pensamento no interesse público".

Piñera, candidato da direita, reagiu às afirmações de Bachelet, dizendo que "como cidadã, ela tem o direito a ter sua opinião e preferência, mas acho que um presidente não deve nunca, especialmente a três dias da eleição, esquecer que é presidente de todos os chilenos".

A imprensa chilena questiona se Piñera se desligará de seus negócios antes de tomar posse no dia 11 de março, caso seja eleito.

Na segunda-feira, no último debate transmitido pela televisão, Piñera disse: "Já disse um milhão de vezes e volto a dizer: Vou vender a LAN antes de assumir como presidente. A Chilevisión será transferida para uma fundação sem fins lucrativos, mas continuarei como acionista e diretor do Colo Colo".

Dois dias antes do segundo turno, governistas e opositores intensificaram a troca de acusações, principalmente depois que uma pesquisa de opinião apontou empate técnico entre os dois presidenciáveis.

Troca de acusações

No seu último comício na quinta-feira na capital chilena, Piñera pediu aos eleitores "uma oportunidade para governar o país" e disse que o Chile precisa de "mudanças para melhorar a vida de todos".

Do outro lado de Santiago, Frei, que foi presidente entre 1994-2000, disse que "esta mudança já ocorreu". Mas é preciso "aprofundar" estas transformações que reduziram a pobreza no país e colocaram o Chile no mapa internacional dos investimentos, disse ele.

"Quando a Concertación chegou a presidência o mundo só falava mal do Chile (após o regime de Pinochet). Agora não. Isso mudou", afirmou.

"Piñera tem repetido que vai se desligar dos negócios, mas até agora nada. Nos preocupa o conflito de interesses", afirmou Juan Carlos Latorre, presidente da Democracia Cristiana, partido de Frei.

O presidente da RN, Carlos Larraín, aliado de Piñera, reagiu, dizendo que para a esquerda "pessoas que enriqueceram trabalhando devem ser eliminadas do mapa". Outros aliados de Piñera disseram que Frei "não se desligou dos negócios" quando foi presidente, o que teria levado simpatizantes a pedir "explicações".

Nesta disputa, o ex-presidente Ricardo Lagos, da Concertación, disse que Piñera representa os "mercados" e Frei "a cidadania". Lagos destacou que a pobreza caiu de 40% para o recorde atual de 13% nos 20 anos de governo da Concertación e que este ritmo "precisa ser mantido".

Para Piñera, a Concertación fez "a campanha do medo" e acha que "é a única que pode governar o Chile". O que, disse ele, "não é verdade e será provado a partir deste domingo".

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