'Baby Doc' não descarta papel político no Haiti, diz advogado

Ex-ditador tem permissão de sair do país, mas ficará apesar do indiciamento por corrupção e desvio de dinheiro, diz sua defesa

Vicente Seda, de Porto Príncipe, Haiti |

O ex-presidente haitiano Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier não descarta voltar para a política do Haiti. De acordo com seu principal advogado, Reynold Georges, o ex-líder tem direito de concorrer e governar o país novamente. "Ele é um homem político. Todo político tem ambições políticas. É direito dele concorrer à presidência", disse Georges, acrescentando que Baby Doc poderia cumprir mais dois mandatos. "Nessa nova Constituição, que inclusive ajudei a escrever, ele tem direito de cumprir dois mandatos. Dois!", enfatizou.

Posteriormente em coletiva, Georges e outros dois advogados do ex-presidente, que na terça-feira foi indiciado pela promotoria haitiana por corrupção e desvio de dinheiro público, disseram que Duvalier permanecerá no Haiti apesar de ter permissão de sair. Após o anúncio, cerca de 100 partidários do ex-líder comemoraram. "Viva Duvalier, o país é seu! Fique à vontade."

AP
Ex-líder haitiano, Jean-Claude ¿Baby Doc¿ Duvalier fala ao telefone no quarto de hotel em que está hospedado na capital Porto Príncipe
De acordo com o advogado Fritz Canton, "as acusações que fazem (contra Duvalier) já prescreveram". "Já tentaram na França e não conseguiram. E aqui também não vão conseguir", disse Canton. Ele vai ficar e está à disposição da Justiça como qualquer outro nessa situação. A Justiça sabe que ele está aqui no hotel e podem procurá-lo a qualquer momento."

Já Georges, que também é senador no Haiti, lembrou que o ex-líder - chamado por todos de presidente Duvalier e não de Baby Doc - pode deixar o Haiti quando bem entender. "Ninguém pode forçá-lo a sair. Somente Deus", afirmou. "Se ele quiser sair, pode. Mas se sair e tiver de ir à Justiça, ele voltará para enfrentar a Corte."

Retorno

No Haiti desde domingo, após 25 anos de exílio na França, Baby Doc estaria de volta para estar "perto dos haitianos", segundo a defesa. "Sentimos que, com o que houve no ano passado, ele queria estar perto do povo dele para ajudar. (...) Ele está no país dele. Não está no Brasil, está?!", disse Georges.

O advogado de defesa, que apoia a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, vencedora do primeiro turno, negou-se a dizer quem Baby Doc apoia.

Oposição

Além de ser acusado pelo crimes cometidos durante seu governo, entre 1971 e 1986, Baby Doc também é considerado responsável por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos pela morte de milhares de oponentes durante sua presidência.

A área ao redor do hotel Karibe, onde o ex-presidente está hospedado na capital Porto Príncipe, estava calma na manhã desta quarta-feira, sem manifestações de partidários de Duvalier que haviam contestado fervorosamente sua ida, escoltada por policiais, ao Palácio da Justiça. Policiais bem armados, bem como jornalistas, continuam no local, enquanto o ex-líder recebe pessoas próximas em seu quarto.

*Repórter viajou a convite do Exército brasileiro no Haiti

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