Integrantes da associação argentina se reuniram nesta quinta-feira em frente à sede da ONU em Genebra, na Suíça

Integrantes da associação argentina Avós da Praça de Maio se reuniram nesta quinta-feira na sede da ONU de Genebra, para apresentar uma candidatura da entidade ao Prêmio Nobel da Paz, lançada por uma ONG para reconhecer a luta de mulheres para encontrar os filhos desaparecidos durante a ditadura argentina.  A cerimônia teve a presença da presidente do grupo, Estela de Carlotto, assim como uma das netas resgatadas das mãos da família do militar que a roubou após assassinar seus pais, Victoria Montenegro.

A fim de promover a candidatura foi criada a ONG Avós com a Paz, uma iniciativa civil para divulgar o trabalho das avós de esclarecer os casos de crianças roubadas na ditadura militar da Argentina (1976-1983), na qual desapareceram mais de 30 mil pessoas e 500 crianças foram sequestradas ou nasceram no cativeiro.

Estela afirmou que, embora o Nobel seria uma "grande alegria", o melhor prêmio são cada um dos 103 netos já encontrados. Ela lembrou que ainda falta localizar outros 400 pessoas. "A tarefa é difícil é, com toda certeza, saber que quando todos forem localizados nós já não estaremos aqui para vê-los, mas deixaremos o testemunho aos nossos outros filhos e netos porque isto é uma luta coletiva", afirmou.

Para ajudar no trabalho, as avós criaram o Banco Nacional de Dados Genéticos, onde estão armazenadas as amostras de sangue de todas as mulheres que buscam as crianças desaparecidas, para permitir a investigação dos casos que puderem ser desvendados após sua morte.

Estela, de 80 anos, continua à procura de seu neto Guido, que completaria 33 anos este ano. A filha da ativista e mãe de Guido, Laura, foi assassinada pelos militares. "Nós, avós, cada vez estamos mais velhinhas. Mas, embora caminhemos devagar, o coração e a cabeça estão fortes. A tenacidade de uma avó ou de uma mãe não se perde com o passar dos anos", disse.

História

Apesar das histórias trágicas, há entre as Avós da Praça de Maio casos como o de Victoria Montenegro, uma das netas encontradas. Victoria nasceu em 31 de janeiro de 1976, 13 dias depois do sequestro de seus pais, posteriormente assassinados. Ela passou a viver como filha do mesmo coronel do Exército que ordenou a morte de seus progenitores. Victoria viveu sem conhecimento sobre o caso até os 25 anos. Sua nova família, conta, a fazia acreditar que as Avós da Praça de Maio eram "velhas loucas que queriam destruir sua família cristã".

"Descobrir a verdade é muito duro porque você acaba odiando sua família, que até então você amava", relatou. Victoria agradeceu o apoio das Avós porque graças a seu "carinho" e ao trabalho de sua equipe de apoio psicológico, encontrou forças para recuperar sua identidade e o orgulho de usar o sobrenome de seus pais verdadeiros. "Graças às Avós a memória dos meus pais continua viva, apesar da existência de um regime horrível que tentou eliminá-los para sempre. A elas, devemos o que somos", disse.

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