Avó do menino Sean diz que ele quer ficar no Brasil

Nova York, 23 jun (EFE).- O menino americano Sean Goldman, de 9 anos, quer ficar no Brasil com sua família, afirmou hoje sua avó materna, Silvana Bianchi, em entrevista à rede de televisão americana CBS.

EFE |

Sean protagoniza uma batalha legal entre Brasil e Estados Unidos por sua guarda.

Os problemas legais sobre sua custódia começaram em 2004 quando sua mãe, a brasileira Bruna Bianchi, que morava nos EUA junto com o pai biológico do menino, o americano David Goldman, seu marido na época, decidiu levar seu filho para tirar férias no Rio de Janeiro e não voltou.

"Bruna não estava feliz em seu casamento porque tinha que trabalhar demais e não tinha tempo de ver o filho", explicou hoje Silvana Bianchi, acrescentando que "não havia amor nesse casamento, brigavam o tempo todo e dormiam em quartos separados".

A avó de Sean afirmou que sua filha "tentou muitas vezes consertar o casamento e até fizeram terapia de casal, mas suas tentativas não foram bem-sucedidas".

Bruna morreu em 2008 durante o parto da filha que teve com seu segundo marido, o advogado João Paulo Lins e Silva, que pertence a uma influente família do Rio de Janeiro.

"Eu amo Sean tanto quanto a minha filha, os dois são meus filhos e formamos uma família", declarou hoje nessa mesma entrevista à "CBS" o padrasto de Sean.

João Paulo quer que o menino fique no Brasil porque "é onde viveu 60% de sua vida e é onde se sente seguro, protegido e querido".

David Goldman briga há cinco anos pela custódia de Sean com base na Convenção de Haia, que obrigaria o retorno da criança aos EUA para que seus tribunais determinem quem tem a custódia.

Silvana Bianchi declarou na entrevista que Goldman tem direito de ver seu filho, ao mesmo tempo em que negou que houvesse obstáculos por parte da família para isso e afirmou que "ele nunca foi visitá-lo. A única coisa que tinha que fazer era pedir permissão".

No início de junho, Goldman chegou a obter a guarda de Sean na Justiça brasileira, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) examinou o caso e negou a ordem.

Há uma semana, um juiz federal do Rio de Janeiro autorizou o pai biológico a conviver com seu filho no Brasil enquanto se discute uma decisão judicial definitiva sobre a custódia do menor.

O litígio pela custódia de Sean chegou a fazer parte da conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega americano, Barack Obama, na visita oficial que o primeiro fez a Washington em março.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, também interveio no assunto semanas antes do encontro presidencial, quando comentou o assunto com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. EFE emm/bba

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