Aviões militares sobrevoam praça onde ocorrem protestos no Cairo

Exército do Egito faz exibição de força enquanto população volta às ruas e tenta se organizar para conter saques

iG São Paulo |

AP
Jatos militares são vistos próximos à mesquita de Aguza, no Cairo
Dois jatos e um helicóptero da Força Aérea do Egito sobrevoam neste domingo a praça de Tahrir, no centro do Cairo, epicentro dos protestos que acontecem no país desde terça-feira. Os jatos voam baixo, numa aparente exibição de força na capital egípcia, que já tem o sexto dia consecutivo de protestos.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, se encontrou neste domingo com militares de alto escalão em uma tentativa de assegurar a fidelidade dos militares e manter no poder diante de protestos sem precedentes por sua saída.

Em pronunciamento transmitido pela TV estatal neste domingo, o general Mohamad Tantawi fez um apelo para que a população respeite o toque de recolher, remanejado para começar às 16h (horário local, meio-dia em Brasília) e terminar às 8h de domingo (4h em Brasília) no Cairo e nas cidades de Alexandria e Suez.

Saques

Os egípcios convivem com uma situação de ausência quase total de leis nas ruas. Durante a madrugada, moradores do Cairo, armados com porretes, correntes e facas fizeram grupos de vigília para proteger os bairros de saqueadores, depois que a impopular polícia deixou as ruas após confrontos com manifestantes e que deixaram mais de cem mortos.

O Exército enviou tropas e blindados para proteger os prédios governamentais e restabelecer a ordem, mas não estava fazendo o policiamento. O comando militar divulgou um comunicado pedindo à população que não promovesse o caos e respeitasse a propriedade alheia.

Em Zamalek, um dos bairros do Cairo de classe alta e local de várias embaixadas, jovens zeladores de prédios com bastões e facas foram para as ruas para fazer a segurança.

"O toque de recolher não vale muito, mais adiante alguns soldados conversam com a gente sem problemas, mas sem policiais. As pessoas aqui estão com medo das gangues", disse um jovem que se identificou apenas Aiman.

Havia muito nervosismo entre os jovens nas ruas. Com a ausência de policiais de tráfego, alguns tentaram organizar o pouco trânsito de carros. As emissoras locais disseram que milhares de prisioneiros fugiram de duas prisões ao redor da capital.

Os saqueadores não atacaram somente estabelecimentos particulares, mas também prédios públicos, hospitais e até escolas. O Museu Nacional, local que guarda preciosos artefatos de milhares de anos da história do Egito, foi atacado.

Segundo as autoridades, não houve roubos ao acervo do museu. No entanto, imagens de emissoras locais mostravam estatuetas e outros artefatos quebrados pelo chão. Diretores do museu disseram que duas múmias foram danificadas.

Com BBC e Reuters

    Leia tudo sobre: egitoprotestosdia da irahosni mubarak

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG