Aviões israelenses bombardeiam sul de Gaza para destruir túneis

GAZA - Aviões do Exército israelense bombardearam hoje o sul de Gaza para destruir os túneis que ligam o território palestino com o Egito, informaram à Agência Efe testemunhas na zona.

Redação com EFE |

O ataque teve como alvo a rota Philadelphi, na região de Rafah, onde centenas de túneis levam ao Sinai, no Egito, e são utilizados para introduzir na Faixa mantimentos e armas.

Os bombardeios destruíram parte do muro fronteiriço, após o que dezenas de palestinos passaram para território egípcio, onde as forças de segurança os devolveram a Gaza.


Palestinos feridos fogem para o Egito / Foto: AP

Vítimas do ataque

Por enquanto, não há relatos de vítimas no ataque, que se soma aos bombardeios realizados nesta manhã em vários pontos de Gaza nos quais morreram cerca de 65 pessoas.

Desde que Israel iniciou, neste sábado, seu pior ataque contra os palestinos desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, pelo menos 287 pessoas morreram, em sua maioria policiais do movimento islâmico Hamas, e outras 900 ficaram feridas, das quais mais de 100 se encontram em estado grave.

A imprensa israelense afirma que, durante a ofensiva, que prosseguiu hoje pelo segundo dia consecutivo, o Exército de Israel pode ter atingido 240 alvos.

Grande parte deles são as instalações de segurança do Hamas que foram destruídas, assim como várias estradas e oficinas metalúrgicas usadas pelas milícias palestinas para construir foguetes.

AP
Soldados em Gaza
Soldados israelenses em Gaza
A comunidade internacional condenou os ataques de ambas as partes e fez um apelo pela paz na região, enquanto as autoridades palestinas de Gaza e da Cisjordânia decretaram três dias de greve e luto.

O Hamas pediu ao Egito que abra a fronteira de Gaza para todos os palestinos que queiram sair da Faixa e criticou que o país apenas ofereça passagem aos mutilados e feridos.

Operação

O ministro israelense da Defesa afirmou neste domingo que "as FDI (Forças de Defesa Israelenses) expandirão e aprofundarão as operações em Gaza a tudo o que for necessário".

Barak não descartou ainda a possibilidade de uma operação terrestre na Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro Ehud Olmert afirmou na abertura da reunião de gabinete que o objetivo da operação é "permitir aos cidadãos do sul de Israel levar uma vida normal, após anos de ataques incessantes com foguetes e morteiros".

Luto

As ruas da cidade de Gaza estavam praticamente desertas, com lojas e escolas fechadas em sinal de luto.

Na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e nas cidades árabes de Israel as lojas respeitaram uma greve de protesto.

No Egito, o chanceler Ahmed Abul Gheit afirmou que seu país está tentando obter um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, e acusou o movimento palestino de impedir a transferência para o território egípcio de centenas de feridos.

Segundo testemunhas, na manhã deste domingo nenhum ferido de Gaza havia entrado no vizinho Egito.

AP
Destruição na Faixa de Gaza
Destruição na Faixa de Gaza
O Crescente Vermelho (a Cruz Vermelha nos países islâmicos) do Irã informou que enviará dois aviões com ajuda humanitária para Gaza através do Egito. Na Líbia, a Fundação Kadhafi anunciou a criação de uma ponte aérea para a retirada dos feridos palestinos.

Reações

Na ONU, uma declaração não-vinculante, sem o mesmo peso de uma resolução, pede "o cessar imediato de toda violência" e às duas partes que "interrompam imediatamente todas as atividades militares".

O comunicado, um raro exemplo de unidade sobre o tema de Gaza, foi aprovado após cinco horas de consultas a portas fechadas, a pedido da Líbia, único membro árabe do conselho, mas não menciona diretamente Israel nem o Hamas.

O papa Bento 16 condenou neste domingo a violência entre Israel e os palestinos do Hamas, pedindo "um ímpeto de humanismo e de sabedoria por parte de todos os que têm alguma responsabilidade nesta situação trágica no Oriente Médio.

"Rogo pelo fim desta violência que deve ser condenada em todas as suas manifestações e pelo restabelecimento da trágua na Faixa de Gaza. Peço um ímpeto de humanismo e de sabedoria por parte de todos os que têm alguma responsabilidade nesta situação", afirmou durante a benção dominical do Angelus.

"Peço à comunidade internacional que faça todo o possível para ajudar os israelenses e os palestinos neste beco sem saída e que não se resigne, como o disse há dois dias na mensagem 'Urbi et Orbi', a um mecanismo perverso de confrontação e violência, mas que dê prioridade à via do diálogo e às negociações", acrescentou o Sumo Pontífice.

No sábado, a Casa Branca afirmou que o Hamas pode provocar o fim dos ataques israelenses se parar de lançar foguetes contra Israel.

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, monitora a situação na Faixa de Gaza, informou uma porta-voz no Havaí, onde o futuro chefe de Estado americano passa as festas de fim de ano.

O líder do Hamas no exílio, Khaled Meshal, pediu aos palestinos que iniciem a terceira Intifada contra Israel e que cometam atentados suicidas.

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