Avião enviou sinais de problemas antes de desaparecer dos radares

Luis Miguel Pascual. Paris, 6 jun (EFE).- O Airbus A330-200 da Air France que desapareceu no Oceano Atlântico na madrugada de segunda-feira emitiu 24 sinais de anomalias em seus sistemas durante os quatro minutos anteriores a sua saída da zona de monitoramento do radar, informaram hoje os investigadores franceses.

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Essa informação, a primeira divulgada pelo Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês), dá pistas mais seguras sobre o que pode ter ocorrido, embora ainda seja "prematuro" concluir quais foram as causas do acidente.

O diretor do BEA, Paul-Louis Arslanian, que falou à imprensa pela segunda vez desde a tragédia, foi taxativo ao se negar a tirar conclusões ou a dar mais força a uma hipótese do que a alguma outra, sendo cuidadoso ao mostrar só os dados confirmados.

"É muito cedo para saber as causas do acidente", afirmou, ao mesmo tempo em que eliminou toda e qualquer "conclusão perigosa".

Arslanian sequer descartou por completo a hipótese de atentado terrorista, embora isso "não seja muito coerente" a partir das informações que possui.

Ainda faltam muitos elementos para serem compilados - em particular, as caixas-pretas do avião -, o que é necessário para saber o que ocorreu no meio do oceano com o voo AF447 que fazia a rota entre Rio de Janeiro e Paris e que desapareceu sem deixar rastros com 228 ocupantes a bordo.

Os únicos dados disponíveis são os sinais automáticos emitidos pelo avião e recolhidos pelo radar.

A partir destes, sabe-se que o voo transcorreu com normalidade até as 23h10 de domingo (horário de Brasília), quatro minutos antes de o avião deixar a zona de monitoramento dos radares brasileiros.

É nesse momento em que os sinais de anomalias nos sistemas do A330 foram disparados. Pelo menos 24 problemas ficaram registrados, 14 deles entre 23h10 e 23h11 de Brasília.

Em particular, esses sinais mostram "incoerências" nos dados registrados pelos sensores de velocidade. O A330 tem três equipamentos do gênero e, quando as diferenças entre o que cada um mede são muito elevadas, um sinal de alerta é emitido.

Com isso, alguns sistemas elétricos, entre eles o piloto automático e os autopropulsores, deixam de funcionar, algo que ocorreu no AF447 naquela noite. Entretanto, não se descarta a hipótese de que a tripulação tenha desligado esses recursos de forma voluntária.

Também não se sabe se voltaram a funcionar depois, quando o avião já se encontrava na obscura zona intermediária do oceano, longe do alcance dos radares brasileiros e ainda fora do raio de ação dos africanos.

Este tipo de anomalias já foi registrado anteriormente em outros A330, afirmou o responsável do BEA, o que levou a Airbus a estudar mudanças nos sensores para torná-los mais seguros.

Arslanian foi taxativo ao declarar que é "prematuro" dizer quais os motivos que provocaram esses problemas e se estes causaram o acidente.

Por outro lado, o diretor do BEA falou com a imprensa junto com o diretor adjunto dos serviços meteorológicos franceses, Alain Ratier, o que demonstra que a influência das condições do tempo ainda é estudada.

No entanto, esse caminho não revela nada de extraordinário porque, segundo Ratier, as condições registradas foram as normais para um mês de junho nessa região do Atlântico, local de confluência de ventos que provocam tormentas.

O responsável pela observação meteorológica relatou que as condições foram piores em outros dias próximos à segunda-feira passada e que no momento do acidente não houve registros de tempestades particularmente excepcionais.

Porém, os investigadores deixaram transparecer que o AF447 pode ter enfrentado essa área "sempre complicada para os pilotos" sem a ajuda de alguns sistemas automáticos, ao mesmo tempo em que não bateram o martelo quanto a essa hipótese.

Mais dados ainda fazem falta e, para isso, as caixas-pretas se apresentam como elementos essenciais, o que justifica os procedimentos iniciados para sua localização.

Para encontrá-las, além de todos os meios enviados até o momento por Brasil e França, entre eles um submarino nuclear, se somarão sistemas acústicos emprestados pelos Estados Unidos e que serão embarcados em dois navios franceses.

Com eles, o objetivo será rastrear de forma "mais rápida e sistemática" o fundo do oceano em busca dessas caixas-pretas, que durante quase 30 dias emitirão sinais antes de silenciarem para sempre. EFE lmpg/bba

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