Avião da FAB decola para resgatar brasileiros no Suriname

O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que resgatará mais cinco brasileiros feridos no Suriname decolou nesta quarta-feira às 12h37 rumo a Paramaribo, capital do país vizinho. Além dos feridos, outros 18 brasileiros manifestaram interesse de voltar ao Brasil e devem retornar no mesmo voo.

iG São Paulo com Agência Brasil |

A decolagem, inicialmente prevista para às 8 horas de Brasília, foi atrasada por causa dos procedimentos para conseguir autorização do governo do Suriname para sobrevoar o país.

Prevê-se que o avião chegue a Paramaribo às 17h37 de Brasília e volte ao Brasil ainda na noite desta quarta-feira com os brasileiros que foram vítimas do ataque lançado por surinameses contra 200 estrangeiros, incluindo brasileiros e chineses, na região de Albina na noite de Natal.

O avião saiu ontem à noite do Rio de Janeiro, pernoitou em Brasília, e levará 11 pessoas, além da tripulação: dois médicos, dois enfermeiros e um representante do Itamaraty, do Gabinete de Segurança Institucional e da Secretaria Especial de Atenção a Mulher. A funcionária da secretaria dará assistência às brasileiras vítimas de violência sexual. Segundo o secretário-geral do Itamaraty, Antonio Patriota, entre 10 e 20 mulheres ¿ incluindo brasileiras e estrangeiras ¿ foram vítimas de estupro na noite do ataque.


Segundo nota divulgada nesta terça-feira pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, dos oficiais 25 brasileiros feridos, 20 já receberam alta. Cinco ainda estão internados e deverão ser levados para Belém em voo da FAB nesta quarta-feira, incluindo um homem com risco de amputação de um dos braços em decorrência de cortes provocados por facão e outro com ferimentos graves na mandíbula. Não há risco de morte entre os feridos, segundo o Itamaraty .

Em meio a novas ameaças de violência contra brasileiros, desta vez na área de Tabaki , o Itamaraty conseguiu que o governo surinamês reforce o policiamento na região. Um grupo de 20 policiais foi enviado para o local. Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Brasil em Paramaribo (capital do Suriname), José Luiz Machado e Costa, afirmou que o governo do Brasil cobrou do Suriname alerta máximo para evitar que as novas ameaças a brasileiros se concretizem.

Já Patriota afastou a possibilidade de novos ataques contra brasileiros na região. Segundo ele, o governo surinamês intensificou a segurança e garantiu que o ataque na véspera de Natal foi um ato isolado.

O padre José Virgílio da Silva, que dirige a rádio Katólica e deu assistência aos brasileiros vítimas do ataque, afirmou que há pelo menos sete desaparecidos ¿ incluindo brasileiros. De acordo com relatos de brasileiros que moram no Suriname, quilombolas surinameses teriam matado e jogado os corpos das vítimas nos rios e matas da região.

O Itamaraty, porém, não confirma que existam vítimas fatais do ataque. Não estou afirmando que não haja desaparecidos. Estamos observando as informações com cautela. Até o momento, não houve comprovação ( sobre os desaparecidos) , disse Patriota.

Paralelamente, o Itamaraty ordenou um mapeamento de todos os brasileiros que vivem no Suriname. Por falta de dados oficiais e documentos legais, a estimativa é ampla: os números variam de 12 mil a 22 mil, a maioria em áreas de garimpo. Haveria também brasileiros envolvidos com prostituição e com tráfico de drogas.

Outra dificuldade, de acordo com diplomatas, é que, na tentativa de fugir das ameaças de violência, muitos escapam para a mata fechada. As áreas de selva no Suriname são extensas e de difícil acesso.

Na noite do último dia 24, cerca de 200 estrangeiros, entre brasileiros e chineses, foram atacados por quilombolas surinameses em Albina. Na região vivem principalmente garimpeiros e suas famílias, que não dispõem de documentos legais. No entanto, a motivação do ataque teria sido um suposto crime envolvendo um brasileiro e um marrom - como são chamados os quilombolas (descendente de escravos surinameses). 

A Embaixada do Brasil em Paramaribo informou que todos os brasileiros que estavam em Albina foram retirados do local. A orientação é para que evitem áreas de risco no Suriname. A medida vale, inclusive, para jornalistas que fazem reportagens no país.

Assista ao vídeo sobre o conflito:

Com informações da Agência Estado

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