Avião da Air France não se partiu no ar, diz investigação

Por Tim Hepher PARIS (Reuters) - O avião da Air France que caiu no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo durante o trajeto Rio-Paris não se destruiu no ar e atingiu a água intacto em alta velocidade, disse nesta quinta-feira a agência francesa responsável pela investigação das causas da tragédia.

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O voo 447 da Air France caiu no mar após decolar do Rio de Janeiro no dia 31 de maio. As causas exatas do acidente ainda são desconhecidas.

"O avião não se destruiu enquanto estava em voo. Aparentemente ele atingiu a superfície da água na direção do voo e com uma aceleração vertical intensa", disse Alain Bouillard, que lidera as investigações realizadas pela agência francesa BEA.

Bouillard disse que o controle aéreo do voo deveria ter sido transferido das autoridades do Brasil para Senegal, mas que isso nunca aconteceu.

O investigador da França afirmou que os pilotos do voo AF447 tentaram três vezes realizar contato com um sistema de dados em Dacar, capital senegalesa, mas não tiveram sucesso aparentemente porque Dacar nunca recebeu o plano de voo.

"Isso não é normal", disse ele, acrescentando que os investigadores também tentam descobrir por que se passaram seis horas desde que o avião desapareceu até que fosse declarada uma emergência.

A Força Aérea Brasileira (FAB) garantiu que a transferência Brasil-Dacar foi realizada e que as transcrições do procedimento foram inclusive enviadas ao BEA.

"O BEA fez uma intepretação preliminar de que talvez o Brasil não tivesse feito a passagem do controle aéreo para Dacar, mas isso foi feito sim", disse à Reuters por telefone o tenente-coronel Henry Munhoz, porta-voz da FAB.

"Temos a transcrição disso, que inclusive foi mandada ao BEA. Temos a informação de que Dacar recebeu essa transferência", acrescentou.

De acordo com o tenente-coronel, o alerta de emergência foi dado por Madri depois que controladores da Espanha perceberam que o avião não tinha entrado em seu espaço aéreo, como estava previsto. O avião tinha que passar por Dacar antes de chegar ao espaço espanhol.

O chefe da investigação afirmou ainda que as buscas pelas caixas-pretas do Airbus A330 vão continuar até 10 de julho. Os equipamentos emitem um sinal sonoro por um determinado período.

Ele também reiterou que a França ainda não teve acesso às autópsias dos 51 corpos resgatados do mar que estão sendo realizadas pelo Instituto Médico Legal do Recife.

Segundo os investigadores, apesar do acidente, não há dados disponíveis que indiquem a necessidade de manter a frota de aviões Airbus A330 no solo.

"A informação disponível hoje não indica nenhuma necessidade nesse sentido", disse Philip Swan, conselheiro do BEA, em entrevista coletiva.

"Eles já voaram 10 milhões de horas e há 600 deles voando", disse ele. "Para mim, não há nenhum problema", acrescentou Bouillard.

(Com reportagem adicional de Pedro Fonseca no Rio de Janeiro)

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