Avião com ajuda humanitária chega a Mianmar 5 dias após passagem de ciclone

Fernando Mullor-Grifol Bangcoc, 8 mai (EFE).- O primeiro avião de ajuda humanitária do Programa Mundial de Alimentos (PMA) chegou hoje a Mianmar, cinco dias depois da passagem do ciclone tropical Nargis, que deixou milhares de mortos e desaparecidos no sul do país.

EFE |

A aeronave, procedente da Itália, aterrissou em Yangun com sete toneladas de biscoitos energéticos para os desabrigados, dos quais se estima que mais de um milhão de pessoas tenham perdido suas casas.

O PMA aguarda outros três aviões, dois vindos de Bangladesh e outro dos Emirados Árabes Unidos, ao longo do dia, e espera que mais vôos cheguem a Mianmar amanhã e no sábado, caso as autoridades birmanesas o permitam.

Calcula-se que mais de um milhão de pessoas precisem atualmente de assistência humanitária no país, segundo um relatório dos Escritórios de Coordenação da Ajuda Humanitária das Nações Unidas (Ocha, em inglês).

Até o momento, o PMA e outras agências da ONU, além de ONGs com presença em Mianmar, estão distribuindo entre a população material de ajuda humanitária que armazenavam no país ou que estavam prestes a destinar para outros projetos.

A ONG Save the Children atende 30 mil pessoas com recursos que tinha em Mianmar para atender outros programas sociais.

Os Estados Unidos estimam em cem mil as vítimas do "Nargis", que passou pelo sul de Mianmar entre sexta-feira e sábado, mas os meios de comunicação estatais birmaneses afirmam que o número de mortos cresceu para 23 mil, e que os desaparecidos chegam a 42 mil.

A ONU, que hoje desbloqueou US$ 10 milhões de seu fundo de emergência para reforçar sua ajuda às vítimas do ciclone, solicitou às autoridades birmanesas vistos de entrada para cem colaboradores.

O PMA, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e outras agências da ONU e ONGs criticaram a burocracia para conseguir uma permissão de entrada em Mianmar, pois a Junta Militar, que governa o país, faz questão de se certificar de que os solicitantes não são ativistas democráticos ou dissidentes.

O problema também afeta a ajuda dos EUA, com quem os generais birmaneses, mais próximos à China, mantêm relações tensas por causa das sanções impostas pela Casa Branca, que foram ampliadas em fevereiro, em represália à violação dos direitos humanos no país.

O embaixador dos EUA na Tailândia, Eric John, disse hoje em Bangcoc que ainda não foi permitida a aterrissagem, em solo birmanês, de um avião militar americano com ajuda humanitária.

"Pensamos hoje de manhã com nossos aliados tailandeses que tínhamos chegado a um acordo com as autoridades birmanesas para que deixassem entrar o C-130 (Hercules). Mas agora vemos que a situação não é bem assim", disse o diplomata em entrevista coletiva.

A Casa Branca ofereceu US$ 3 milhões como ajuda aos afetados, e tem um C-130 e uma equipe de desdobramento rápido à espera de um "sinal verde" das autoridades locais, além de outro avião a caminho.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse ontem que, em casos de catástrofes como a de Mianmar, a ajuda humanitária não deve se misturar com política.

Testemunhas e representantes de agências de ajuda humanitária afirmam que no delta do rio Irrawaddy, a região mais afetada, a fome começa a se tornar desesperadora e surgiram enfrentamentos e brigas para ter acesso à ajuda internacional.

No entanto, o aparelho de propaganda do Ministério da Informação birmanês negou hoje que estejam acontecendo atos de violência e saques na região.

A Junta Militar, que governa o país desde 1962, foi acusada de não ter avisado a população sobre o ciclone e de não agir com rapidez para ajudar as vítimas. EFE fmg/wr/gs

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