A aviação paquistanesa voltou a atacar nesta quarta-feira posições dos talibãs no noroeste do país, intensificando um conflito que já provocou o êxodo de centenas de milhares de civis para os quais o presidente do Paquistão pediu ajuda internacional.

Os ataques aéreos tiveram como alvo os redutos talibãs do Vale do Swat (noroeste). Helicópteros militares entraram também em ação no vizinho distrito de Lower Dir, onde os militares iniciaram uma ofensiva em 26 de abril, depois que os talibãs chegaram a apenas 100km de Islamabad.

Quase 15.000 militares paquistaneses combatem contra 4.000 talibãs em Swat no que Islamabad considerou uma batalha para eliminar os insurgentes islamitas, tidos por Washington como a pior ameaça para o Ocidente.

"Todos os caminhos de saída de Mingora foram fechados. Nossas tropas cercaram a cidade para impedir a saída dos insurgentes", indicou uma fonte militar referindo-se a maior cidade de Swat.

"Também bloqueamos a estrada em Dir porque os rebeldes usam este caminho para fugir para a zona tribal do distrito de Bajaur", indicou.

Desde o início dos enfrentamentos, há 17 dias, centenas de milhares de civis fugiram da zona, escapando aos combates, mas também aos talibãs que aterrorizam a população local em sua campanha para impor a aplicação da lei islâmica.

Fontes militares indicaram que no total 751 militantes e 29 militares morreram desde o início da ofensiva, mas não há fontes independentes para comprovar estes dados, nem indicações sobre o número de vítimas civis.

Por sua vez, o presidente paquistanês Asif Ali Zardari, que viajou os Estados Unidos para se reunir com seu colega Barack Obama, manteve na terça-feira um encontro com o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, em Nova York e fez um pedido de ajuda internacional para os deslocados.

"Estamos pedindo ao mundo, tanto eu como o secretário-geral, para chamar a atenção sobre a catástrofe humanitária que está acontecendo", disse Zardari.

"Os civis estão perdendo suas colheitas, estão perdendo suas rendas, seu sustento e suas casas. Então queremos que o mundo nos ajude na recuperação", acrescentou.

Ban manifestou sua "grande preocupação" com a situação humanitária no local, onde o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou que foram registradas 501.496 pessoas em fuga desde 2 de maio.

Ban destacou que as Nações Unidas estão prontas para fornecer a ajuda humanitária necessária.

Ainda nesta quarta-feira, nos subúrbios de Peshawar, cerca de 40 talibãs atacaram armazéns da Otan, mobilizada no vizinho Afeganistão, destruindo oito veículos militares e dois contêineres carregados com alimentos.

Nos últimos dois anos, as tropas paquistanesas realizaram operações contra os extremistas em diferentes setores da província da Fronteira do Noroeste e durante quase seis anos na zona semiautônoma do cordão tribal fronteiriço com o Afeganistão.

Os ataques extremistas deixaram ao menos 1.800 mortos no Paquistão em menos de dois anos, enquanto cerca de 2.000 militares morreram em combate contra os islamitas desde 2002.

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