Avanço e estagnação nas mini-cúpulas da América Latina com a UE

Lima, 17 mai (EFE) - As mini-cúpulas entre a América Latina e a União Européia terminaram hoje com distintos resultados, que se traduziram em avanços com a Comunidade Andina (CAN), a possibilidade de fechar um acordo em 2009 com as nações da América Central, incluído o Panamá, mas com a estagnação do diálogo com o Mercosul.

EFE |

A estes encontros, realizados em Lima, se somaram as reuniões UE-Chile e UE-México, das quais participaram a presidente chilena, Michelle Bachelet, e o chefe de Estado mexicano, Felipe Calderón, respectivamente.

Foram as mini-cúpulas com o Chile e o México as que tiveram os melhores resultados, segundo fontes européias, porque fizeram um balanço positivo de seus acordos de associação já assinados.

Ao fim, Bachelet e Calderón coincidiram em qualificar de "bem-sucedidas" suas reuniões com o bloco europeu.

Os obstáculos surgiram especialmente nas negociações com o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), pois não foi possível superar as fortes divergências.

Este encontro, do qual participou a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e o titular da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, concluiu com uma declaração de boas intenções visando à Rodada de Desenvolvimento de Doha, que ocorre no seio da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os desacordos giraram em torno das tarifas industriais e agrícolas e, neste sentido, Cristina e Barroso se mantiveram firmes em suas reivindicações durante um diálogo que não ficou livre de tensão.

Fontes da negociação disseram à Agência Efe que Barroso advertiu Cristina de que a UE não vai ser flexível na troca agrícola se o Mercosul não fizer concessões.

A governante argentina lembrou a Barroso de que o Mercosul não se nega a revisar suas tarifas industriais e insistiu em que "a discussão está em quanto" deve ser revisto e deve contemplar as assimetrias econômicas e sociais de cada bloco.

Com os andinos, no entanto, foram alcançados avanços claros, após os 27 países da UE aceitarem introduzir "flexibilidade" na negociação comercial, mas tratando "bloco a bloco".

Os chefes de Estado de Peru, Colômbia, Equador e Bolívia ratificaram, junto aos europeus, sua vontade de continuar o diálogo para fechar um "amplo" acordo em 2009.

O secretário-geral da CAN, Freddy Ehlers, destacou à Efe que o bloco andino "se consolidou" após a 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, em inglês), que hoje deu passagem às mini-cúpulas.

O presidente do Equador, Rafael Correa, também falou de avanços: "Trata-se de um acordo marco geral com flexibilidade", disse em entrevista coletiva, ao ressaltar que "os países poderão aderir a umas partes do acordo e a outras não".

Mas a UE deixou claro que não aceitará que nenhum parceiro andino seja excluído da negociação comercial, como parecem pedir Bolívia e Equador, contando com que o acordo tem três pilares: político, comercial e cooperação.

O presidente peruano, Alan García, antecipou que o estipulado será "aperfeiçoado" na quarta rodada negociadora, que será realizada em Bruxelas em julho.

Hoje, ficou claro que a negociação continuará "bloco a bloco" e com a aspiração de ser encerrada em 2009.

Quanto à mini-cúpula realizada entre o Sistema de Integração Centro-Americano (Sica) e a UE, o anúncio feito pelo governante panamenho, Martín Torrijos, esta semana de se somar à negociação do acordo de associação gerou confiança.

"Vemos com bons olhos a aproximação cada vez maior do Panamá", disse a vice-presidente da Costa Rica, Laura Chinchila, cujo país, junto a Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua, está envolvido na negociação.

A vice-presidente de El Salvador, Ana Vilma de Escobar, confirmou, por seu lado, o compromisso conjunto de concluir as negociações "no primeiro semestre de 2009".

As nações da América Central pediram ao bloco europeu "rapidez" para fechar o acordo, porque "significa geração de emprego e uma oportunidade de crescimento". EFE erm/db

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