Avanço da direita em Israel pode paralisar processo de paz

O fortalecimento do bloco de partidos da direita nas eleições israelenses pode levar à paralisia do processo de paz na região, já que dificilmente o novo Parlamento vai concordar com o congelamento de novas construções nos assentamentos israelenses, a primeira condição dos palestinos para voltar à mesa de negociações.

BBC Brasil |

Com a expansão do bloco de direita, o próximo governo israelense - quer seja liderado por Benjamin Netanyahu ou por Tzipi Livni - não deverá cumprir os acordos que Israel assinou com os palestinos.


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Segundo o resultado da apuração de mais de 99% das urnas , apesar de o Kadima - partido governista liderado por Livni - ser o maior do Parlamento, com 28 cadeiras, o bloco dos partidos de direita conseguiu mais assentos - 65 das 120 cadeiras da casa. Nas eleições de 2006, o bloco de direita elegeu apenas 50 parlamentares.

O direitista Likud, liderado por Benjamin Netanyahu, é o segundo maior partido, com 27 cadeiras, uma a menos do que o Kadima. O bloco da direita inclui o Likud, três partidos de extrema-direita e dois partidos ultra-ortodoxos.

O bloco de centro-esquerda inclui o Kadima, o Partido Trabalhista, o social-democrata Meretz e três partidos árabes que, por não serem sionistas, não são vistos pelos grandes partidos como parceiros potenciais para integrar uma coalizão governamental.

Os três partidos que representam os cidadãos árabes israelenses - Hadash, Balad e RaamTaal - obtiveram um total de 11 cadeiras no Parlamento e como elas não são contadas nas negociações para a formação da coalizão, restam para o bloco de centro-esquerda apenas 44 cadeiras "contáveis", contra as 65 do bloco direitista.

Governo de coalizão

De acordo com a lei em Israel, cabe ao presidente decidir o líder de qual partido será nomeado para compor a nova coalizão governamental.

Logo depois da publicação dos resultados oficiais, dentro de uma semana, o presidente Shimon Peres deverá ouvir todos os partidos e decidir se nomeará a líder do maior partido, Tzipi Livni, ou o líder do maior bloco, Benjamin Netanyahu, para formar o novo governo.

Após a publicação das pesquisas de boca-de-urna, na madrugada desta quarta feira, Livni e Netanyahu fizeram discursos de vitória e anunciaram que iriam liderar a nova coalizão.

Porém, seja qual for a decisão do presidente Peres, a composição do Parlamento indica que o próximo governo não deverá cumprir os acordos que Israel assinou com a liderança palestina.

Mesmo no caso de Tzipi Livni ser a próxima premiê, ela não terá apoio suficiente no Parlamento para conseguir tomar as medidas necessárias para negociar a paz com os palestinos, como retirar assentamentos dos territórios ocupados.

O bloco de direita também é contra a negociação de questões básicas que envolvem o processo de paz, como a criação de um Estado palestino ao lado do Estado israelense, a retirada dos assentamentos, a transformação de Jerusalém oriental em capital do futuro Estado palestino e uma solução para o problema dos refugiados palestinos.

Relação com a Palestina

Logo depois de divulgadas as pesquisas de boca-de-urna, um dos principais negociadores palestinos, Saeb Erekat, declarou que "os eleitores israelenses optaram por uma situação de paralisia , a nova coalizão governamental não poderá assinar um acordo de paz".

Rafik Husseini, assessor do presidente palestino Mahmoud Abbas, declarou que a Autoridade Palestina tem "condições claras para a continuação das negociações com Israel e a primeira delas será o congelamento imediato da construção de assentamentos".

Mas o bloco de direita é contra este congelamento. Durante a campanha Netanyahu também afirmou que não vai concordar com o "estrangulamento" dos assentamentos e que irá defender "o direito de crescimento natural".

Nessas circunstâncias, ao invés de um congelamento dos assentamentos, é mais provável é que ocorra um congelamento do processo de paz .

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