Avança decodificação da seqüência do genoma do trigo

Uma equipe internacional liderada por pesquisadores franceses conseguiu um importante avanço na decodificação do complexo genoma do trigo, base da alimentação de 35% da população mundial, segundo trabalhos divulgados nesta quinta-feira nos Estados Unidos.

AFP |

Ao reconstruir o mapa físico do maior cromossoma do trigo (3B), os pesquisadores abriram caminho para a decodificação da totalidade do genoma desse cereal, o que poderá ajudar os cientistas a desenvolver variedades de trigo mais produtivas e mais resistentes à seca e a outros fatores de estresse, avaliaram esses agrônomos.

O estudo estará publicado na revista americana "Science" de 3 de outubro.

Apesar de sua grande importância econômica, a análise do genoma do trigo (Triticum aestivum L.) está bastante atrasada em relação à de outros cereais, como o milho, o arroz e o sorgo.

Por isso, a melhora do trigo é lenta frente aos desafios que a agricultura deve enfrentar, destacou o Instituto Nacional de Pesquisa Científica da França (Inra), acrescentando que, até agora, a decodificação e exploração molecular do trigo em larga escala eram consideradas "impossíveis", devido à complexidade de seu genoma.

O genoma do trigo tem 17 bilhões de pares de bases, ou seja, cinco vezes mais do que o genoma humano e 40 vezes mais do que o do arroz. Além disso, 80% das seqüências são repetidas, e o genoma tem seis jogos de cromossomas, ou 42 no total.

"Os mapas físicos de cromossomas constituem um instrumento precioso para localizar rapidamente genes de interesse agronômico e preparar novos marcadores genéticos", ressaltaram os especialistas.

Permitem ainda explorar regiões do genoma responsáveis por características como rendimento, qualidade e resistência ao estresse.

O projeto também contou com a participação de pesquisadores israelenses, americanos e tchecos.

js/tt

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