cenário terrorista em ataque a chargista na Dinamarca - Mundo - iG" /

Autoridades veem cenário terrorista em ataque a chargista na Dinamarca

Berlim, 2 jan (EFE).- As autoridades dinamarquesas consideram que, por trás do ataque fracassado contra o chargista Kurt Westergaard, que se tornou famoso pelas irreverentes caricaturas do profeta Maomé, há um cenário terrorista.

EFE |

"É um caso grave", disse, através de um comunicado, o diretor do PET, os serviços secretos dinamarqueses, Jakon Scharf.

O PET considera que o homem que entrou ontem à noite na casa de Westergaard tem vínculos com a rede terrorista Al Qaeda e com a milícia somali islâmica Al-Shabaab.

Além disso, as autoridades afirmaram que o somali, que foi detido, pertence a uma célula islâmica que opera na Dinamarca e que estava sendo vigiada há algum tempo pela Polícia por possíveis planos para atacar Westergaard.

O agressor também foi vinculado a atividades terroristas no leste da África.

A Justiça dinamarquesa acusará de tentativa de assassinato o homem que ontem à noite tentou atacar Westergaard, informou a Polícia.

Fontes policiais disseram que o agressor entrou na casa de Westergaard, perto da cidade de Arhus, armado com um machado e uma faca, enquanto proferia gritos em um dinamarquês entrecortado no qual o caricaturista conseguiu distinguir palavras como "sangue" e "vingança".

Segundo o relato policial, o chargista conseguiu se esconder em um banheiro que transformou em uma espécie de bunker de segurança desde que começou a receber ameaças de morte.

Westergaard ligou para a Polícia do banheiro, enquanto o somali tentava quebrar a porta e fazia ameaças em dinamarquês.

Quando a Polícia chegou, o agressor atacou os agentes, que responderam com disparos e o feriram na perna e na mão.

No momento do ataque, Westergaard estava em casa com a neta de 5 anos.

O agressor está agora na prisão e deverá ser acusado formalmente, enquanto Westergaard foi levado para um local seguro.

Desde setembro de 2005, quando foram publicadas as caricaturas de Maomé no jornal "Jyllands-Posten", Westergaard foi alvo de ameaças de morte e vive sob proteção policial.

As caricaturas feitas por Westergaard, uma das quais mostra Maomé com uma bomba como turbante, causaram fortes protestos e distúrbios em todo o mundo islâmico, que causaram a morte de 150 pessoas.

Os distúrbios aconteceram, principalmente, nos primeiros meses de 2006, quando houve também chamadas para sabotar produtos dinamarqueses.

No início de 2008, a Polícia dinamarquesa deteve dois muçulmanos acusados de planejar um atentado contra Westergaard e, depois, três jovens muçulmanos foram condenados na Dinamarca por planejar atentados com explosivos em protesto contra a publicação das caricaturas no "Jyllands-Posten".

Também nos Estados Unidos, foi detido em 2009 o muçulmano convertido David Colemann Headley, de nacionalidade americana, que planejava um atentado contra o "Jyllands-Posten" em cooperação com grupos paquistaneses.

Cerca de 3% dos 5,5 milhões de habitantes da Dinamarca são muçulmanos e, durante os últimos anos - já antes da polêmica das caricaturas -, a discussão sobre a imigração e o Islã adquiriu um tom bastante ácido.

A publicação das caricaturas de Maomé no "Jyllands-Posten", em 2005, foi parte de uma estratégia de confronto com o Islã, própria dos setores mais conservadores da Dinamarca.

A ideia do "Jyllands-Posten", ao encomendar a Westergaard e a outros desenhistas as caricaturas de Maomé, era fazer um gesto em defesa da liberdade de expressão frente à proibição no Islã de representar o profeta graficamente. EFE rz/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG