Autoridades terminam perícia no porão da casa de Josef Fritzl

VIENA - A Promotoria já conta com todos os dados técnicos sobre o porão em que Josef Fritzl trancou e violentou sua filha Elisabeth durante 24 anos, em uma relação incestuosa da qual nasceram sete crianças.

Redação com EFE |

                Clique na imagem para ver a galeria de fotos do caso Fritzl

Arquivo/Ultimo Segundo
   Joseph Fritzl e sua filha, Elisabeth, antes dela ser trancada no porão de sua casa

O porta-voz da Promotoria de Sankt Pölten, Gerhard Sedlacek, informou à imprensa austríaca que o resultado da perícia do cativeiro já está à disposição das autoridades judiciais, porém não forneceu mais detalhes.

No cativeiro, de 60 metros quadrados e quatro quartos de apenas 1,7 metros de altura, nasceram em condições subumanas um total de sete filhos, dos quais três permanacerem no porão fechados sem nunca ver a luz do sol.

Sedlacek também não descartou a possibilidade das vítimas, que terminaram de testemunhar recentemente, tenham que prestar mais declarações a pedido da Promotoria.

O que ainda está pendente é o resultado do relatório psiquiátrico de Josef Fritzl e a avaliação médica das causas da morte de um das crianças nascidas no porão.

Um especialista em obstetrícia deve responder sobre o grau de responsabilidade do detido na morte de um bebê em 1997, quando Elisabeth deu à luz a gêmeos e um deles faleceu três dias após o nascimento. Seu corpo foi queimado por Fritzl na caldeira de calefação de sua casa.

Caso a responsabilidade de Fritzl no caso seja confirmada, ele poderá ser condenado à prisão perpétua se for declarado culpado por "homicídio por omissão de auxílio".

O início do julgamento está previsto para antes do final do ano e a Promotoria acredita ter pronta a ata da acusação ainda em setembro.

A juíza encarregada do caso, Andrea Humer, anunciou que não vai revelar nenhum detalhe das declarações das vítimas, que foram gravadas com uma câmara de vídeo para evitar que tenham que testemunhar perante o homem que durante 24 anos os manteve fechados.

As autoridades tentam ser discretas sobre a volta à normalidade das vítimas de Josef Fritzl, embora a imprensa austríaca tenha revelado alguns detalhes.

A última novidade é que a esposa de Josef Fritzl, Rosemarie, ao sair do hospital, onde permanecem sua filha Elisabeth e seus netos, decidiu viver só.

A imprensa austríaca especulou sobre uma ruptura entre Elisabeth e Rosemarie por desavenças pessoais.

No entanto, o advogado da família desmentiu os rumores de tal ruptura e afirmou que a mãe vai se mudar para os arredores.

O advogado assegurou que Rosemarie visita sua filha com freqüência e que - como afirmam as autoridades - abandonou a clínica porque não necessita de nenhum tratamento.

Também informou que a família passou uns dias em Salzkammergut, uma bela região alpina rodeada de florestas e lagos, também conhecida por seus balneários e pelo saudável ar das montanhas.

Elisabeth, seus seis filhos e sua mãe estão sendo tratados em uma clínica psiquiátrica custodiada pela Polícia com a intenção de facilitar sua integração na sociedade após a traumática experiência.

Entenda o caso

O austríaco Joseph Fritzl, 73 anos, foi descoberto quando a filha mais velha que ele teve com sua própria filha, Elisabeth, precisou ir ao hospital em condições críticas. Com aparências típicas de uma doença de incesto, os médicos pediram para ver a mãe da menina.

Elisabeth vê o apelo dos médicos pela televisão e convence o pai a levá-la ao hospital. Após ser questionada pela polícia, a verdade vem à tona.

A mulher de 42 anos relatou que pouco antes de seu aniversário de 18, seu pai a levou para o porão e a trancou lá.

Joseph prestou queixas do desaparecimento de Elisabeth à polícia e as buscas acabaram quando a mãe da menina recebeu uma carta, com a letra dela, dizendo para pararem de procurá-la.

Durante 24 anos, Elisabeth viveu no porão de sua casa com dois quartos pequenos e um banheiro/cozinha. Lá, vítima de incesto, teve 7 filhos com seu pai.

Três dos filhos ficaram com ela no porão e os outros três foram entregues à mulher de Joseph, com uma carta teoricamente de Elisabeth dizendo que as crianças ficariam melhor com os avós. Um outro bebê, gêmeo, morreu no porão com cerca de três dias de vida.

Leia mais sobre: Joseph Fritzl

    Leia tudo sobre: joseph fritzl

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG