Autoridades sérvias pedem que Mladic se entregue de forma voluntária

Belgrado, 6 ago (EFE).- O ministro da Defesa sérvio, Dragan Sutanovac, fez hoje uma chamada ao acusado de crimes de guerra Ratko Mladic para que se entregue de forma voluntária à Justiça internacional, em interesse do futuro europeu da Sérvia.

EFE |

Sutanovac declarou ao jornal "Blic" que "Mladic e (Goran) Hadzic (também foragido) devem se entregar ou ser detidos muito em breve, para que a Sérvia, respeitando suas leis e o direito internacional, obtenha o estatuto de país que seus cidadãos merecem".

Após a detenção de Radovan Karadzic, a captura e entrega de Mladic, ex-comandante militar dos sérvios da Bósnia, é a principal condição colocada à Sérvia para que possa se transformar o mais rápido possível em candidato à adesão à União Européia (UE).

Mladic e Hadzic, ex-líder dos sérvios da Croácia, são os únicos foragidos do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII), após a detenção, em 21 de julho, nos arredores de Belgrado, do ex-presidente servo-bósnio Radovan Karadzic, que ficou foragido durante quase 13 anos.

O responsável sérvio para a cooperação com o TPII, Rasim Ljajic, afirmou ao jornal "Vecernje Novosti", que "o melhor para Mladic e Hadzic, assim como para suas famílias e para o Estado, seria que se entregassem de forma voluntária".

"O caso de Karadzic mostra com clareza que ninguém pode se esconder por toda a vida. Por isso, agora é mais fácil prever que nem Mladic pode ser uma exceção", disse.

Ljajic afirmou que é difícil saber neste momento se algumas pessoas que ajudavam Karadzic a se esconder também fazem parte de uma rede de apoio a Mladic.

Os dois líderes servo-bósnios são acusados de genocídio em relação ao massacre de Srebrenica, e outros crimes de guerra cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).

Sobre o suposto acordo de 1996 entre Karadzic e o mediador americano Richard Holbrooke, pelo que o ex-líder servo-bósnio obteria a imunidade em troca de sua retirada da vida política, Ljajic disse que "há pessoas que asseguram ter sido testemunhas de que houve esse contrato".

"Não conseguimos encontrar o documento como prova crucial. Mas a verdade é que é estranho que, após ser acusado, e apesar da forte presença das forças internacionais, Karadzic se movimentasse com liberdade pela Bósnia. Ou seja, há estranhas circunstâncias", disse Ljajic.

O jornal sérvio "Glas Javnosti" afirma, ao citar pessoas "que conhecem bem" Mladic, que este nunca se entregaria de forma voluntária ao TPII, visto por muitos sérvios como uma instituição injusta e mais política do que judicial. EFE Sn/an

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