Autoridades se mobilizam para achar jornalistas seqüestrados na Somália

Bossaso (Somália), 28 nov (EFE).- Líderes tribais da Puntlândia, no norte da Somália, negociam o resgate do jornalista britânico Colin Freeman e do fotógrafo espanhol José Cendón, enquanto a Polícia local investiga o paradeiro dos seqüestrados nas montanhas da região, afirmam fontes locais.

EFE |

Um dos líderes tribais que disse estar envolvido nas conversas, Abdulkader Ali, explicou à Agência Efe hoje que "já há negociações abertas entre os anciãos (como são chamados os chefes dos clãs) e o grupo de seqüestradores para resolver o assunto".

Gani Mohamed Abdi, chefe da Polícia de Bossaso, principal cidade da Puntlândia, disse à Efe que "os seqüestrados estão na região montanhosa de Sanaag, a cerca de 20 quilômetros de Bosaso", e que seus agentes se encontram "nas imediações".

No entanto, Muse Gele, governador da região de Bari, situada ao sudeste de Bosaso e vizinha de Sanaag, também afirmou que os policiais de sua jurisdição "percorrem as montanhas na busca dos dois jornalistas" e admitiu que "ninguém sabe onde se encontram".

Por sua vez, Nicolás Martín Cinto, embaixador da Espanha no Quênia, disse hoje à Efe em Nairóbi que eles se encontram "em permanente contato com as autoridades do Governo da Puntlândia, tanto com seu presidente", quanto com outros representantes, para buscar a libertação dos jornalistas.

O diplomata espanhol afirmou que se investiga quem são os seqüestradores, pois, segundo ele, não é possível "avançar nas negociações até que não se saiba com certeza quem são" os responsáveis pelo crime.

Embora o porta-voz do Governo da Puntlândia, Bile Mohamoud Qabowsade, tenha dito ontem que os seqüestradores podiam ser os três tradutores que ajudaram os jornalistas em suas reportagens sobre a pirataria, Martín Cinto se manteve cauteloso e afirmou que "pode se tratar de qualquer um", pois ainda não há nada claro.

Por enquanto, o embaixador espanhol não deve ir à Puntlândia, pois considera ser mais útil permanecer onde está e estabelecendo contato com as autoridades da região.

O ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, disse ontem que foram feitos os primeiros contatos com as autoridades da região somali da Puntlândia, onde Cendón e Freeman foram capturados.

Moratinos também afirmou que a Espanha desenvolve uma ação em conjunto com o Governo Britânico para a libertação do jornalista e do fotógrafo.

As autoridades da Puntlândia disseram que Freeman e Cendón foram seqüestrados por seus tradutores somalis, em colaboração com um grupo armado não identificado da região, pouco antes de se dirigirem ao aeroporto de Bossaso para deixar a região.

O ministro da Informação do Governo autônomo da Puntlândia, Abdirahman Mohamed Bankah, condenou ontem o seqüestro e disse que, em sua chegada à Bossaso, os dois não aceitaram escolta policial e contrataram uma milícia desconhecida preparada por seus tradutores, que agora são suspeitos pelo seqüestro.

Segundo ele, as autoridades da Puntlândia estão "fazendo todos os esforços para obter informações sobre seu destino e tomando as medidas lógicas para libertá-los".

Freeman e Cendón passaram uma semana em Bossaso para fazer uma reportagem sobre a pirataria na Somália para o jornal britânico "Daily Telegraph".

Por sua vez, o porta-voz da Presidência afirmou que os dois entraram ilegalmente na Puntlândia, sem esclarecer sua identidade, e advertiu que os tradutores independentes que alguns contratam "têm relação com grupos armados e podem participar de seqüestros". EFE as/ab/rr

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