Riad, 25 jun (EFE).- Autoridades da Arábia Saudita desmantelaram várias células da Al Qaeda e detiveram centenas de pessoas que supostamente planejavam atentados contra instalações petrolíferas do país árabe, o maior produtor de petróleo do planeta.

Segundo um comunicado do Ministério do Interior saudita, as detenções ocorreram nos últimos seis meses e incluíram um total de 701 pessoas, entre as quais 181 foram colocadas em liberdade posteriormente por falta de provas.

Os 520 que permanecem presos pertencem a várias nacionalidades e são acusados de atuar para retomar as atividades da rede terrorista internacional na Arábia Saudita, onde nos primeiros quatro anos desta década, centenas de pessoas morreram em atentados e ações de violência, inclusive vários ocidentais.

As detenções foram anunciadas poucos dias depois que o ministro do Interior saudita, príncipe Naif bin Abdul Aziz, ter afirmado que seu departamento não acabou totalmente com a Al Qaeda, mas que dirigiu duros golpes contra a rede de Osama bin Laden e frustrou numerosas ações terroristas.

O príncipe sugeriu no sábado passado, véspera da conferência de produtores e exportadores de petróleo em Jidá, que se estudasse as causas da constante alta nos preços da commodity.

O comunicado saudita, divulgado pela agência nacional "SPA", não especifica as nacionalidades dos detidos, embora aponte que vários deles são "de países asiáticos e africanos" que entraram no reino sob o pretexto de buscar trabalho ou de peregrinar pelos santuários de Meca e Medina.

Todos eles são acusados também de planejar atentados contra instalações econômicas vitais e de reunir dinheiro para recrutar jovens sauditas para retomar as atividades da Al Qaeda no reino árabe.

O texto diz ainda, em aparente alusão ao Iraque, que alguns deles "se encarregavam de instigar, de forma sistemática, jovens e financiavam sua viagem ao estrangeiro para que recebessem treinamento (militar) antes de serem enviados para lugares em conflito".

Os terroristas "iam se aproveitar desses jovens para desestabilizar o reino após seu retorno à Arábia Saudita", acrescenta o comunicado.

Um dos presos, cujo nome não é revelado na nota, tinha em seu telefone celular uma mensagem do egípcio Ayman al Zawaheri, braço direito de bin Laden, na qual "lhe pedia para reunir fundos e lhe informava que enviaria militantes de Iraque, Afeganistão e Magrebe para atacar as instalações petrolíferas" sauditas.

Segundo o texto, os detidos "tinham começado de fato a preparar um atentado com carro-bomba contra uma instalação petrolífera e outro contra um departamento de segurança".

O comunicado assegura que essas pessoas se comunicavam com seus dirigentes no exterior através de outros indivíduos que chegavam ao reino com os peregrinos.

Além da peregrinação anual (Hajj), que reúne em Meca aproximadamente três milhões de pessoas de diferentes partes do planeta, a Arábia Saudita concede durante todo o ano vistos de visita aos santuários.

O comunicado afirma que para financiar suas atividades, os presos "roubavam dinheiro" e arrecadavam fundos dos visitantes de Meca e Medina através da emissão de recibos falsos de associações de caridade.

A nota não explica onde exatamente foram detidas essas pessoas, mas declara que algumas detenções ocorreram na região oriental que acolhe as mais importantes instalações petrolíferas.

"Foram confiscados diferentes tipos de armas e munição, além de documentos, CD-ROMs e outros elementos multimídia", acrescenta.

A Arábia Saudita, terra natal de Bin Laden, tinha anunciado em novembro passado o desmantelamento de seis "células" integradas por 208 supostos terroristas, acusadas de planejar atentados suicidas e com mísseis contra instalações econômicas além de centros oficiais e religiosos sauditas.

Em 21 de dezembro do ano passado, cerca de três dias antes da última peregrinação anual, Riad informou sobre a detenção de 28 supostos membros da Al Qaeda que supostamente realizariam ataques durante a peregrinação. EFE ma/bm/rr

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