Autoridades palestinas pedem adesão plena à Unesco

Com impasse em negociações e esforços por status na ONU tramitando lentamente, palestinos tentam outros meios para reconhecimento

iG São Paulo |

Autoridades palestinas entraram com pedido de adesão integral à agência de Cultura das Nações Unidas nesta quarta-feira, dizem diplomatas, enquanto expandem e aceleram sua pressão por reconhecimento internacional apesar da oposição dos EUA e de Israel.

AP
Estudante palestina passa em frente de escola gerenciada pela ONU na Cidade de Gaza
"Apresentaremos hoje a proposta, e temos garantias de que seremos admitidos", disse de o pedido ser entregue Mohammed Odeh, membro da Comissão de Exteriores do partido laico Fatah, que compõe a Organização para a Libertação da Palestina.

Um fonte da Unesco disse que a agência começou a estudar o esboço de resolução da delegação palestina. "A resolução que está em discussão no momento propõe que a Palestina seja incluída como membro da Conferência Geral da Unesco," que decidirá se aceita a admissão ou não, disse a fonte.

Com negociações de paz paradas e esforços históricos para tornar a Palestina um Estado na ONU tramitando lentamente no Conselho de Segurança , diplomatas palestinos tentam outros caminhos potencialmente mais rápidos para fazer com que o mundo considere seus territórios como uma nação.

Um deles é a Unesco (Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura), com base em Paris, em que a adesão total requer dois terços dos votos dos 193 membros. O conselho executivo de 58 membros da Unesco reviu o esboço de resolução e aprovou nesta quarta-feira seu envio para votação na Conferência Geral da Unesco, que ocorre entre 25 de outubro e 10 de novembro e envolve todos seus 193 membros.

Os palestinos têm status de observadores na Unesco desde 1974. Para ganhar status de membro pleno, os chamados "Estados" que não são membros da ONU podem ser admitidos na Unesco se forem aprovados por maioria de dois terços na Conferência Geral. Não ficou claro se a Palestina precisaria ser um Estado para que seu pedido possa ser aprovado.

Os palestinos também buscam um ponto de apoio na Organização Mundial do Comércio, e receberam status de parceiro na terça-feira no Conselho da Europa, o principal órgão do continente para direitos humanos.

Em setembro, o presidente palestino, Mahmud Abbas, apresentou ao Conselho de Segurança da ONU um pedido formal de ingresso como membro da entidade, ignorando uma ameaça dos EUA de vetar a medida , além de ameaças de legisladores americanos de restringir a assistência prestada pelos EUA aos palestinos.

A presidente do comitê de relações exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA, Ileana Ros-Lehtinen, pediu que os EUA cortem o financiamento da Unesco se o pedido palestino for aprovado. "Temendo que seus esforços junto ao Conselho de Segurança fracassem, a liderança palestina está buscando reconhecimento em outras partes do sistema da ONU," disse Ros-Lehtinen.

"Essa tentativa de manipular o processo precisa ser interrompida. Nossas contribuições são o impulso mais forte que temos na ONU e devem ser usadas para defender nossos interesses e nossos aliados e sustar esse esforço palestino perigoso."

A França considerou prematuro que a Autoridade Nacional Palestina solicite uma adesão plena e total à Unesco, como desejam os países árabes. "A prioridade é a retomada das negociações com Israel, a Unesco não é o local apropriado. A conferência geral dessa organização da ONU, prevista para o fim de outubro, não é o momento", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês, Bernard Valero.

Mediadores do chamado "Quarteto" do Oriente Médio - União Europeia, Rússia, ONU e EUA - se reunirão em Bruxelas no domingo para tentar fazer avançar a causa da paz israelo-palestina.

*Com Reuters, AP e EFE

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