Autoridades montam esquema de segurança inédito para posse de Obama

Macarena Vidal. Washington, 14 jan (EFE).- O esquema de segurança para a posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, ato que deverá ser acompanhado por mais de dois milhões de pessoas e para o qual o público começou hoje a receber suas entradas, está dando trabalho às autoridades.

EFE |

Como se trata da chegada ao poder do primeiro negro eleito para governar os Estados Unidos, o centro de Washington deverá receber na próxima terça-feira um número de pessoas jamais visto em uma posse presidencial.

Segundo cálculos das autoridades, além dos dois milhões de pessoas que acompanharão Obama jurar o cargo no Capitólio, outras 300 mil deverão ver de perto o desfile em carro aberto que ele fará até sua futura residência, a Casa Branca.

Além disso, mais 500 mil pessoas são esperadas no domingo no monumento a Abraham Lincoln, onde acontecerá um megaconcerto de boas-vindas a Obama.

O serviço secreto diz que até o momento não foram detectados indícios de uma ameaça terrorista específica, mas ainda assim a mobilização das autoridades é inédita em uma cidade tão acostumada a conviver com poderosos.

Ontem, o presidente em fim de mandato, George W. Bush, decretou estado federal de emergência em Washington para permitir que a capital possa custear com fundos do Governo as medidas de proteção "destinadas a salvar vidas e proteger a segurança pública".

Essa foi a primeira vez que, em virtude de um acontecimento político, alguém decretou estado de emergência federal, algo que só costuma acontecer após desastres naturais, informou o porta-voz da Casa Branca Scott Stanzel.

A segurança para a possede Obama está sendo coordenada pelo serviço secreto, mas o esquema montado envolve 57 agências federais e locais. Além disso, 23 subcomissões trabalham com possíveis incidentes, de explosões a distúrbios de ordem pública.

Ao todo, oito mil policiais - 25% a mais que o total mobilizado para a posse de Bush em 2005 - serão distribuídos pela cidade a partir de sexta-feira, em turnos de 12 horas, disse a chefe da Polícia de Washington, Cathy Lanier.

Além desse contingente, mais mil agentes da Polícia Florestal, em veículos, a cavalo ou à paisana, ficarão encarregados de vigiar o comportamento dos presentes na posse.

Para ter acesso ao local do Capitólio onde Obama jurará o cargo sobre a bíblia de Lincoln, os convidados para a cerimônia, devidamente munidos de seu ingresso, terão antes que passar por uma rígida revista.

A medidas semelhantes terão que se submeter aqueles que, sem convite, quiserem acompanhar a posse dos telões gigantes que serão instalados na região conhecida como National Mall, esplanada no centro de Washington que se estende do Capitólio até o famoso obelisco da cidade.

A lista dos objetos proibidos ao público no dia da posse inclui do óbvio ao mais improvável, como armas de fogo, bolsas para fraldas, cartazes feitos de madeira, garrafas térmicas, carrinhos de bebê, cadeiras de rodas e guarda-chuvas.

Só se aproximar do local antes do dia da cerimônia será uma proeza, já que na tarde de 19 de janeiro a Polícia vai interromper o tráfego em uma área de 5,6 quilômetros quadrados e fechará as pontes que ligam Wahington aos arredores de Virgínia, medida que gerou muita polêmica.

Até o momento, três mil ônibus pediram autorização para estacionar em Washington na próxima terça-feira. A expectativa é que esse número aumente para seis mil antes do fim da semana.

As autoridades de Washington, com o prefeito Adrian Fenty à frente, avisaram que a Polícia contará um a um o número de pessoas se apresentarem aos espaços reservados para o público.

Por motivos de segurança, quando a lotação for atingida, os postos de controle serão fechados para impedir a passagem de mais pessoas.

O começo da cerimônia de posse está previsto para as 11h30 (14h30 de Brasília), mas o acesso do público será permitido a partir das 7h locais.

Para complicar ainda mais o trabalho das autoridades, a meteorologia prevê neve para o dia 20. Embora as condições ainda possam mudar, as previsões dão conta de que há 30% de chances de nevar durante a posse. EFE mv/sc

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