Autoridades haitianas se comprometem a nomear primeiro-ministro em 48 horas

Porto Príncipe - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que liderou uma missão internacional de alto nível no Haiti, concluiu hoje sua visita ao país com o compromisso das autoridades locais de nomear um novo primeiro-ministro nas próximas 24 ou 48 horas.

EFE |

Além disso, a delegação expressou sua solidariedade com o Governo e o povo do Haiti e prometeu que trabalhará para melhorar os problemas cruciais que impactam este país, abalado por uma crise alimentícia e política.

"Expressamos nossa solidariedade com o Governo e o povo do Haiti e vamos ver o que podemos fazer", declarou Insulza à imprensa, após se reunir no Parlamento com o presidente da Assembléia Nacional, Kelly Bastien.

O senador Bastien disse à imprensa que o nome do novo primeiro-ministro pode ser conhecido "em 24 ou 48 horas".

Bastien também afirmou que o presidente do país, René Préval, conversou com os setores políticos sobre o novo Governo e agora estão "no processo de designar o primeiro-ministro".

A missão defendeu uma "rápida" designação do primeiro-ministro em substituição a Jacques Edouard Alexis, censurado pelo Senado no último 12 de abril após os violentos protestos contra a inflação, que causaram seis mortos, entre eles um soldado nigeriano da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah).

Além disso, favoreceu o estabelecimento de um novo Governo que possa realizar um diálogo nacional sobre as prioridades do país e encaminhar ações para resolver os problemas locais.

Ditas ações também deverão incluir um calendário eleitoral a fim de consolidar o processo democrático e resolver assim a problemática econômica, política e social da nação, a mais pobre do continente.

Em comunicado entregue à imprensa, a delegação destacou que a participação do Parlamento e do setor político nacional é "crucial" para se alcançar esses objetivos.

Igualmente, encorajou a sociedade civil, a imprensa e o setor privado a contribuírem de maneira construtiva para resolver a situação pela qual o país atravessa.

Bastien, que preside o Senado, destacou a importância da visita do grupo de delegados internacionais, em momentos em que o empobrecido país "passa por uma fase política e socioeconômica difícil".

"A comunidade internacional nos disse que está conosco e nos apóia, embora não possa fazer tudo para nós", declarou o legislador.

Bastien explicou que uma das exigências da comunidade internacional é que o Haiti possa ter um novo Governo "no menor prazo".

Além do Parlamento, a missão internacional se reuniu com Préval, lideres políticos e membros da sociedade civil.

A visita aconteceu em um momento no qual o chefe de Estado realiza consultas para chegar à designação do substituto de Alexis.

A delegação é integrada por representantes de Brasil, Estados Unidos, Canadá, Argentina, México, União Européia e Nações Unidas, assim como pelo secretário adjunto da OEA, Albert Ramdin.

Para o embaixador do Canadá no Haiti, Claude Boucher, "é importante que nas circunstâncias atuais a comunidade internacional demonstre sua mobilização e que esteja ao lado deste país".

Segundo o diplomata, a delegação deveria dizer aos atores políticos e à sociedade civil que voltarão "à normalidade o mais breve possível".

O chefe da delegação européia no Haiti, Francesco Gosetti, expressou a "preocupação" da comunidade internacional e aconselhou "a busca conjunta de uma solução".

Insistiu na necessidade da "construção de um novo consenso", já que, segundo sua opinião, a crise alimentícia é "muito dura".

Sobre a situação da crise alimentícia, o embaixador da Espanha no Haiti, Juan Trigo, anunciou hoje que seu país fechou um acordo para uma ajuda de 1,5 milhão de euros (US$ 2,3 milhões) visando enfrentar "a crise urgente" dos preços dos produtos básicos que afeta a sociedade haitiana.

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